- Pesquisa da Universidade de São Paulo descreve o ciclo reprodutivo sazonal da jiboia arco-íris, com maior concentração de atividade no outono.
- O estudo aponta reprodução semi-síncrona e descontínua entre os indivíduos, em Epicrates crassus, espécie nativa do Cerrado.
- Amostras de órgãos reprodutivos foram coletadas para análise microscópica, permitindo observar o dimorfismo sexual e outras características da reprodução.
- Houve identificação de possível caso de intersexualidade em alguns machos, com estruturas vestigiais semelhantes a partes do oviduto; ainda sem evidência de impacto na fertilidade.
- A pesquisadora ressalta a importância da biologia reprodutiva para estratégias de conservação, lembrando que a jiboia arco-íris atinge maturidade sexual em cerca de 1 metro.
O Instituto de Biociências da USP publicou uma pesquisa inédita sobre a reprodução da jiboia arco-íris, espécie nativa do Cerrado. O estudo descreve pela primeira vez o ciclo reprodutivo da serpente da família Boidae, com foco no comportamento sazonal, concentrado no outono, e no dimorfismo sexual observado.
O pesquisador responsável foi Rafael Kenji Anzai, mestre em Zoologia pela USP. A equipe também contou com a orientação de Selma Maria Almeida Santos, professora da USP e vice-diretora do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan. O objetivo é ampliar o conhecimento científico para estratégias de conservação.
O estudo envolveu coleta de amostras de órgãos reprodutivos para análise microscópica, em espécimes da jiboia arco-íris do Cerrado. Os resultados indicam que o ciclo reprodutivo é sazonal, semi‑síncrono e descontínuo, com período de produção máxima de gametas bem definido.
Possível intersexualidade na espécie
Entre os achados está a identificação de estruturas reprodutivas associadas ao sexo oposto em alguns machos. Essas estruturas lembram vestígiais de oviduto, ainda que não sejam funcionais como em fêmeas. A hipótese aponta para uma condição similar à síndrome da persistência dos ductos de Müller, segundo os pesquisadores.
Embora não haja impacto comprovado na fertilidade, a ocorrência chamou atenção e demanda novas investigações. Os autores destacam que esse fenômeno merece estudo adicional para entender possíveis efeitos na reprodução e na conservação da espécie.
Os resultados reforçam a importância da ciência básica para a preservação de espécies alvo de conservação. As informações ajudam a fundamentar estratégias de manejo e proteção do ecossistema do Cerrado.
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