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SPIW encerra-se com reflexões sobre o futuro humano em mundo tecnológico

Encerramento do SPIW evidencia mudança estrutural com IA: desaparecimento de empregos de entrada e maior demanda por habilidades analíticas e gestão de ferramentas

Crédito: Imagens: Felipe Oliveira (Felps)/ Edição: Laís Nagayama
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  • SPIW terminou em 15 de maio, consolidando a ideia de que a IA já atravessa profissões, relações humanas e o modo de pensar, não só laboratórios; a edição recebeu mais de 80 mil visitantes, 1.877 palestrantes (160 internacionais) e 990 horas de conteúdo.
  • O evento mostrou que a inovação não é apenas tecnológica: afeta saúde mental, sustentabilidade, ciência, esporte, gestão e cultura.
  • Em debates práticos, advogados e magistrados discutiram que a IA pode agilizar tarefas da Justiça, como ementas e resumos, mas não deve substituir o papel do jurista, segundo o ministro do STJ Ricardo Villas Bôas Cueva.
  • A pesquisadora Michelle Schneider destacou que o impacto no trabalho não é apenas demissões, e sim o desaparecimento de cargos de entrada, com demanda por habilidades analíticas e gestão de IA.
  • A programação do SPIW 2027 ganhou continuidade com atividades gratuitas em CEUs da periferia de São Paulo nos dias 16 e 17 de maio, levando conteúdos sobre tecnologia, cultura, empreendedorismo e futuro do trabalho.

O SPIW chegou ao fim após três dias de debates sobre como a tecnologia transforma a vida humana. O encerramento desta sexta-feira, 15, consolidou a ideia de que a IA já ultrapassa laboratórios e empresas, influenciando profissões, relações e o modo de pensar o futuro.

Pesquisadores, executivos, artistas e autoridades públicas participaram de painéis que mostraram a IA como tema transversal. Saúde mental, sustentabilidade, ciência, esporte, gestão e cultura foram tratados como áreas impactadas pela inovação, não apenas pela tecnologia.

A primeira edição do São Paulo Innovation Week reuniu mais de 80 mil visitantes e 1.877 palestrantes, incluindo 160 internacionais, em palestras distribuídas entre o Pacaembu e a Faap. O evento volta em 2027, com nova programação e foco ampliado.

Avanços da IA no Judiciário e no mercado de trabalho

No STJ, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva discutiu o uso de IA no Poder Judiciário. Advogados e magistrados concordaram que a IA pode agilizar tarefas como ementas e resumos, mas não substituir o jurista. O uso deve ser criterioso e não indiscriminado.

Entre especialistas, a pesquisadora Michelle Schneider destacou que o impacto da IA no trabalho vai além de demissões. Segundo ela, a automação tende a eliminar cargos de entrada, exigindo profissionais com habilidades analíticas e gestão de IA. A evolução é de demanda por raciocínio crítico.

Guilherme Horn, CEO do WhatsApp no Brasil, reforçou que a IA representa uma mudança estrutural na sociedade, comparável à adoção de celulares. Já o escritor Douglas Rushkoff advertiu que recursos de IA podem ter sido usados de forma a restringir a criatividade e beneficiar visões de minorias.

Valorização de habilidades humanas e perspectivas nacionais

Painelistas defenderam a valorização de competências inerentemente humanas para manter qualidade de vida em um ambiente cada vez mais automatizado. A TikToker Jubi Moreira enfatizou a criatividade impulsionada pela participação da comunidade na produção de conteúdos e tendências.

Em conversa com o físico Marcelo Gleiser, o psicólogo Steven Pinker defendeu a criação de espaços de discordância sem radicalização. Para ele, não há uma única verdade objetiva, e o debate saudável é essencial.

Spike Jonze, cineasta vencedor do Oscar, destacou a necessidade de tornar relações com IA positivas, mas reconheceu o papel de grandes corporações. As empresas, segundo ele, costumam ter agendas que podem comprometer o uso ético da tecnologia.

Ciência, inovação e o papel do Brasil

Carlos Oliveira, da Fapemig, ressaltou a importância de transformar ciência em inovação, observando que o Brasil é 14º em produção científica, mas 52º em inovação. Anna Helena Reali Costa, da USP, pediu prioridade à criação além da exportação de commodities, destacando a engenharia como geradora de novidade.

O professor Alexandre Ramos Coelho, da Faap, destacou o potencial brasileiro para protagonismo global na IA, desde que haja objetivos claros para orientar investimentos e parcerias.

SPIW e continuidade

Nos dias 16 e 17, o SPIW levará debates e atividades gratuitas a CEUs nas periferias de São Paulo, com foco em tecnologia, cultura e futuro do trabalho. A atuação inclui atividades em Heliópolis, Cidade Ademar, São Mateus e Freguesia do Ó, com participação de nomes como Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo.

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