- Ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira completam oitenta anos neste dia 18 de maio e formam o Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro.
- A proposta era usar atividades artísticas coletivas para substituir eletrochoques, isolamento e lobotomia em quarenta e seis; hoje o acervo do museu ultrapassa quatrocentas mil obras, com cento e vinte e oito mil tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
- Atualmente, cinquenta e cinco pessoas frequentam os ateliês, que abrangem pintura, cerâmica, ritmologia, corpo e movimento, entre outras, com os “clientes” encaminhados pelo Sistema Único de Saúde.
- A programação de oitenta anos prevê abertura mensal dos ateliês ao público, iniciando no dia 23 de maio, durante a 24ª Semana Nacional de Museus, com foco na expressão criativa e acolhimento.
- Também há cooperação internacional, projetos de publicação de obras em inglês, francês e espanhol e disseminação das ideias de Nise em saúde mental, psicologia, psiquiatria e humanidades.
Os ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira completam 80 anos neste 18 de maio. A iniciativa, que nasceu para substituir eletrochoques, isolamento e lobotomia em 1946, hoje integra o Museu de Imagens do Inconsciente (MII) no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. O espaço abriga o maior acervo do gênero, com mais de 400 mil obras, 128 mil tombadas pelo IPHAN.
Os ateliês continuam em funcionamento, atendendo pessoas com dificuldades emocionais e psíquicas. O objetivo é promover expressão criativa, escuta e dignidade, substituindo práticas agressivas. O MII atua como centro de estudo do mundo interno e dos processos psíquicos que afetam a vida de todos.
Contexto histórico e legado
Nise da Silveira, nascida em 1905 em Maceió, dedicou-se à psiquiatria brasileira até falecer em 1999. A Casa das Palmeiras, instituição que influenciou o método, funcionava como referência de reabilitação com atividades expressivas. A proposta original virou marco da história da saúde mental no Brasil.
Situação atual dos ateliês
Atualmente, 55 pessoas participam dos ateliês do MII, que incluem sete oficinas: roda de mulheres, pintura, cerâmica, ritmologia, corpo e movimento, atividades plásticas e teatro. Os pacientes são encaminhados pelo SUS e escolhem a atividade de interesse.
A participação busca criar uma relação de cuidado, onde o cliente escolhe a atividade e expressa o mundo interno por meio da arte. Profissionais destacam que a prática favorece a vinculação familiar e a continuidade dos laços sociais.
Impacto e pesquisa
O trabalho terapêutico dos ateliês serve como objeto de estudo sobre o imaginário humano e os processos psíquicos. Pesquisadores e profissionais avaliam que a abordagem de Nise abriu caminho para pesquisas sobre linguagem, expressão e vulnerabilidade social.
Outras frentes e reconhecimento
O CPRJ, unidade da SES-RJ, mantém ateliês semelhantes, enfatizando o protagonismo do paciente. Artistas atendidos destacam que o espaço possibilita criação sem foco em doença, promovendo cuidado e integração social.
Paralelamente, o MII planeja parcerias internacionais para publicar obras de Nise em inglês, francês e espanhol, ampliando a circulação do legado. A rede de troca com outras instituições visa consolidar uma prática terapêutica integrada e global.
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