- Expedição mapeou o fundo do Pacífico central, revelando 24 novas espécies de anfípodes e 1 superfamília inédita a cerca de 5.000 metros de profundidade.
- Os achados ocorreram na zona Clarion-Clipperton, área visada pela mineração de nódulos polimetálicos.
- Cientistas utilizam veículos operados remotamente, sondas de DNA ambiental e câmeras de baixa luminosidade para coletar amostras, preservando o DNA.
- A biodiversidade abissal participa do ciclo de carbono; o aumento de sedimentos pela mineração pode sufocar espécies de metabolismo lento.
- O estudo aponta altos custos de monitoramento contínuo, destacando a necessidade de decisões rápidas para proteger o ecossistema do abismo.
Recentes expedições do National Oceanography Centre identificaram 24 novas espécies de anfípodes e uma superfamília inédita no fundo do Pacífico central, em profundidade de cerca de 5 mil metros. O achado ocorre em área na zona Clarion-Clipperton, alvo de exploração de nódulos polimetálicos.
O estudo revela criaturas que vivem sob alta pressão e ausência de luz, em um ecossistema pouco conhecido. A descoberta reforça a ideia de que o abismo abriga uma teia alimentar complexa, com espécies distintas das já catalogadas em águas rasas.
Este ambiente possui um deserto de lama e temperaturas próximas de zero. A presença de uma superfamília indica isolamento evolutivo extremo e potencial para novas linhas taxonômicas ainda não descritas pela ciência.
Metodologia de mapeamento
Equipes utilizam veículos operados remotamente (ROVs) com câmeras de alta definição e braços precisos. Sedimentos e animais vivos são coletados sem danos térmicos, preservando DNA para análises genéticas profundas.
Dados genéticos são comparados com espécies já catalogadas em águas rasas. O objetivo é traçar a árvore evolutiva de seres que suportam condições extremas e estudiá-los sem interferência física significativa.
A instrumentação inclui sensores de pressão, sondas de DNA ambiental, câmeras com baixa luminosidade e braços de coleta ultrassensíveis.
Principais descobertas
Foram registradas 24 novas espécies de anfípodes e uma superfamília inédita, em profundidade de 5.000 metros. As amostras ajudam a entender a diversidade do abismo e a composição de comunidades que resistem a ambientes saturados de sedimentos.
A pesquisa também aponta que o isolamento geográfico do fundo favorece a emergência de linhagens únicas. Esses resultados ampliam o conhecimento sobre a diversidade biológica em áreas pouco exploradas.
Riscos da mineração
A região tem forte interesse de mineração de nódulos polimetálicos, importantes para baterias elétricas. Sedimentos levantados podem sufocar espécies abissais com metabólico lento, comprometendo a conectividade do ecossistema.
Especialistas destacam que a atividade humana no fundo do mar pode provocar impactos ambientais irreversíveis, ainda que estabelecimentos minerários defendam mitigação. O equilíbrio entre exploração econômica e conservação é alvo de debate científico.
Implicações para o clima
Esses organismos ajudam a regular o ciclo de carbono do oceano, influenciando a capacidade de absorção de gases do efeito estufa. A morte em massa de espécies abissais pode alterar esse balanço de forma imprevisível.
A limitação de recursos para monitoramento contínuo dificulta o acompanhamento de mudanças na biodiversidade marinha. Pesquisas futuras exigem investimentos para entender impactos de longo prazo da mineração no fundo do oceano.
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