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IA pode aumentar risco de acomodação intelectual, aponta estudo

Especialista brasileiro alerta que a IA pode reduzir o esforço crítico ao depender de resumos, destacando a necessidade de regulação prática e educação digital

Demi Getschko, conhecido como o "pai da internet no Brasil" - (crédito: Divulgação/NIC.br)
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  • Demi Getschko, primeiro brasileiro no Internet Hall of Fame e conhecido como “pai” da web no Brasil, comenta os desafios atuais da rede e o papel da IA.
  • Define a internet como uma construção em camadas: base de telecomunicações, IP, TCP/HTTP, com aplicações acima; a camada básica precisa ser preservada.
  • Observa que a essência libertária da internet original foi perdida em parte diante de abusos, desinformação e riscos, gerando dúvidas sobre como manter liberdade sem abrir mão da segurança.
  • Destaque para o papel do NIC.br e do CGI.br: NIC.br gere recursos de domínios nacionais e produz dados; CGI.br atua na orientação de políticas, como o Marco Civil da Internet.
  • Afirma que a IA é útil, mas pode levar à acomodação intelectual e à geração de respostas imprecisas; o jornalismo deve fortalecer análise e curadoria, usando IA apenas como apoio, não como substituto do julgamento editorial.
  • Em 17 de maio é comemorado o Dia Mundial da Internet, data apresentada pela ONU em 2006.

Demi Getschko, pioneiro brasileiro da internet, analisa os desafios atuais da rede global e os riscos da incorporação da inteligência artificial. Em entrevista ao Correio, ele discute o papel da IA, regulação e governança pública da rede no Brasil.

O professor da USP participou da implantação da primeira conexão TCP/IP no Brasil, em 1991, e foi o responsável por iniciativas que levaram o país a se conectar à internet mundial. Hoje é conselheiro do CGI.br e diretor-presidente do NIC.br, entidades-chave da governança da rede no Brasil.

Em 17 de maio, Dia Mundial da Internet, Getschko reflete sobre a internet como construção em camadas, distingue o núcleo técnico dos serviços acima dele e aborda impactos sociais, regulatórios e o avanço da IA.

A internet é vista por ele como uma estrutura com camadas: telecomunicações na base, IP no meio e aplicações acima. Serviços como redes sociais e plataformas são construções sobre essa base, que deve preservar sua integridade.

Para o especialista, o espírito libertário da internet original cedeu espaço a preocupações com abusos, desinformação e proteção de menores. Limitar acesso por idade levanta dúvidas práticas sobre verificação de usuários.

Na visão sobre regulação, a dificuldade está em mirar a infraestrutura básica (TCP, IP, HTTP) e em lidar com plataformas globais. A regulação deve ser prática, viável tecnicamente e não comprometer a rede.

O NIC.br gerencia recursos de domínios brasileiros e financia pesquisas sobre conectividade e infraestrutura, incluindo dados sobre data centers e IA. O CGI.br atua com políticas públicas e diretrizes, como o Marco Civil da Internet.

Sobre IA, Getschko destaca que a tecnologia existe há décadas, mas o avanço recente se deve a maior capacidade computacional e volume de dados. A IA generativa é útil, mas pode induzir acomodação intelectual e gerar respostas erradas.

Ele aponta riscos de uso de conteúdos aprendidos de IA em conteúdos gerados por outras IAs, criando ciclos de desinformação. A IA deve atuar como ferramenta de apoio, sem substituir o julgamento humano.

No jornalismo, o especialista acredita que a análise e a curadoria ganham peso. A IA pode auxiliar, desde que não substitua a avaliação editorial e a credibilidade do jornalista.

Sobre a data comemorativa, Getschko mantém o tom de entusiasmo crítico pela internet. O desafio é manter o senso crítico para separar informações confiáveis das que não são, sem abrir mão da inovação.

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