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Por que repetimos erros que já vimos os outros cometerem?

O efeito Orloff revela que imitamos erros alheios sem aprender; a inovação transforma traços repetitivos em aprendizado e mudança consciente

É possível entender e superar a repetição do erro?
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  • O chamado efeito Orloff descreve por que países, empresas e pessoas repetem dilemas já vividos por outros, muitas vezes antes de aprender a lição.
  • A expressão vem da publicidade dos anos oitenta para a vodca Orloff, que acabou entrando no vocabulário sobre espelhamento entre Brasil e outros contextos.
  • Na filosofia, Hegel argumenta que a repetição é contradição a ser superada, processo que envolve consciência que leva à negação determinada e transformação.
  • René Girard e Albert Bandura explicam como desejos e comportamentos são imitados a partir de modelos, o que pode levar a copiar o erro sem aprender com ele.
  • A inovação transforma erro observado em aprendizado próprio, mesmo diante do viés de otimismo, reconhecendo padrões e separando o que é para imitar do que já foi aprendido a partir do erro.

Nos anos 1980, a campanha da vodca Orloff popularizou o bordão “Eu sou você amanhã”. O slogan atravessou fronteiras e passou a explicar por que países, empresas e pessoas repetem dilemas já vividos por outros, em passos com atraso. O conceito ficou conhecido como efeito Orloff.

Essa ideia não é teoria econômica formal, mas uma ferramenta para compreender repetição de padrões. A hipótese central diz que imitamos desejos antes de internalizar lições, fazendo com que o espelho repita erro antes de repetir acerto.

Origens filosóficas e sociais

Para o filósofo Hegel, a história avança por meio de contradições que exigem transformação. A repetição surge quando torcemos o próprio processo de evolução sem superá-lo, gerando crise.

Perspectivas complementares

René Girard associa a repetição ao desejo mimético: queremos o que o outro deseja, moldando escolhas e conflitos. O triangle do desejo envolve o desejante, o objeto e quem atribui valor a ele.

Aprendizagem e psicologia

Albert Bandura descreveu a aprendizagem social: aprendemos observando consequências de outros, não apenas por experiência própria. O viés de otimismo de Tali Sharot explica que subestimamos riscos vistos nos outros.

Inovação como antidoto

Transformar erro observado em aprendizado próprio evita que o espelho vire apenas imitação ansiosa. A superação depende de reconhecer padrões, incorporar informações negativas e distinguir o que vale imitar do que foi aprendido com o erro.

Conclusões práticas

A ideia vale para indivíduos, organizações e instituições, inclusive para autoridades que replicam comportamentos ou estratégias de referência. O desafio está em transformar memória e herdados em consciência aplicada e inovação sustentável.

Rubens Harb Bollos é médico, PhD em Ciências da Saúde e counsellor em gestão de crise, presidente-fundador da ABMPP.org.

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