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Excesso de telas prejudica memória, sono e bem-estar após os 50

Uso excessivo de telas entre 50+ pode ampliar solidão, prejudicar memória e sono; especialistas recomendam limites e hábitos saudáveis

Excesso de telas afeta memória, sono e bem-estar emocional após os 50 — Foto: Mariana Saguias/TechTudo
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  • O excesso de telas pode afetar memória, sono e bem-estar emocional de pessoas acima de cinquenta anos, segundo o gerente Antonio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG.
  • O uso excessivo de celulares, computadores e redes pode intensificar a solidão e reduzir atividades presenciais importantes para o bem-estar.
  • Há diferença entre contato digital e vínculo emocional: a conexão online não substitui relacionamentos presenciais, e o isolamento pode ocorrer mesmo com interações nas redes.
  • Sinais de alerta incluem irritabilidade, isolamento crescente e abandono de atividades prazerosas; buscar ajuda psicológica é recomendado quando há sofrimento ou vício.
  • A tecnologia também pode ser usada de forma saudável na idade avançada, desde que haja equilíbrio, manutenção de vínculos sociais e prática de letramento digital.

O excesso de tempo diante de telas pode comprometer memória, sono e bem-estar emocional de pessoas acima dos 50 anos. A revelação vem de uma análise conduzida pelo TechTudo com o gerontólogo Antonio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG. A entrevista aponta como o uso intenso de celulares, computadores e redes pode favorecer a solidão e reduzir a participação em atividades presenciais.

Segundo Leitão, o problema aparece quando o contato digital substitui rotinas importantes. Pequenas mudanças, como deixar de frequentar encontros sociais ou abandonar atividades como passeios, leituras ou palavras cruzadas, podem favorecer o isolamento ao longo do tempo.

O envelhecimento já tende a reduzir relações presenciais por fatores como aposentadoria e mobilidade limitada. A hiperconectividade pode intensificar esse efeito, ao privilegiar conteúdos rápidos em detrimento de estímulos cognitivos mais complexos. leitura e debates presenciais ajudam a manter memória e atenção.

Impactos emocionais e sociais

O isolamento prolongado corta o bem-estar psicológico. Ansiedade e depressão costumam aparecer associadas a quadros de isolamento patológico, segundo o especialista. A solidão crônica pode reduzir atividade física, qualidade da alimentação e hidratação, além de prejudicar o sono.

A relação entre telas e saúde mental não é direta: contato digital não substitui vínculos afetivos verdadeiros. Leitão enfatiza que redes sociais tendem a ser espaços de entretenimento e transação, não de encontros significativos. A diferença entre conexão digital e vínculo emocional é destacada pelo profissional.

A solidão pode ocorrer mesmo com uso frequente de redes, sobretudo quando há afastamento de familiares e mudanças estruturais típicas da velhice, como perda de mobilidade e saída do mercado de trabalho. Nesse cenário, o consumo excessivo de conteúdos pode agir como fuga, e não como pertencimento social.

Riscos cognitivos e sono

A substituição de atividades presenciais por consumo contínuo de conteúdos pode reduzir estímulos cognitivos. Leitão cita leitura, conversas presenciais e exercícios de raciocínio como mecanismos para preservar memória, atenção e concentração ao longo do envelhecimento.

O uso prolongado de dispositivos também pode prejudicar o sono. Notificações constantes e estímulos visuais afetam rotinas de repouso e podem aumentar a irritabilidade e a ansiedade. O alerta é para quem verifica telas perto da hora de dormir ou mantém horários de sono irregulares.

Quando buscar ajuda

A orientação é buscar apoio psicológico quando o uso da tecnologia gera sofrimento, conflitos familiares ou prejuízos na rotina. Sinais incluem isolamento progressivo, humor instável, irritabilidade frequente e dificuldade para reduzir o tempo online.

O acompanhamento profissional pode ser indicado quando a pessoa percebe perda de controle sobre o comportamento digital ou quando surgem consequências físicas e emocionais relevantes. O diagnóstico não depende apenas da quantidade de tempo online, mas do impacto na qualidade de vida.

Uso saudável da tecnologia na longevidade

Apesar dos riscos, a tecnologia também pode auxiliar a vida de quem passa dos 50 anos. Mantém-se a ideia de que uso equilibrado facilita contato com familiares, organização diária e estímulos cognitivos. O letramento digital é apontado como ferramenta para maior autonomia e segurança no ambiente online.

Entre as práticas recomendadas estão limites de horário, evitar telas antes de dormir, momentos sem notificações e participação em atividades culturais ou físicas. Vínculos sociais estáveis e rotinas prazerosas aparecem como pilares para reduzir a sensação de solidão.

O especialista reforça a importância de manter-se engajado em atividades que gerem prazer e fortalecem relações sociais. Limites claros para o tempo de tela, aliado à educação digital, são considerados caminhos para uma relação mais saudável com a tecnologia durante a velhice.

Com informações do Instituto de Longevidade MAG.

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