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Rede de hackers e policiais monitorando desafetos de Vorcaro

PF aponta estrutura criminosa de Vorcaro com núcleo hacker e grupo operacional que usava IA, falsificação de documentos e intimidações para adversários

Detalhes inéditos da investigação do caso Master mostram como intimidações físicas e ataques cibernéticos eram usados
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  • A Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro usava uma organização criminosa dividida em núcleo de hackers, chamado “Os Meninos”, e um grupo de capangas, “A Turma”, para ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidações a adversários.
  • Um dos hackers, Victor Lima Sedlmaier, foi preso em Dubai após chegar ao país; ele disse prestar serviços desde 2024, recebendo cerca de R$ 2 mil mensais mais bônus, com suspeita de recebimentos por meio de duas drogarias das quais era sócio.
  • O chefe do núcleo hacker seria David Henrique Alves, com salário de R$ 35 mil mensais; em março, ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal com computador de mesa e três notebooks, em Minas Gerais.
  • A PF identificou falsificação de documento público para remover um perfil falso criado em nome da então noiva de Vorcaro, usando um oficio do Ministério Público do Ceará e assinatura de uma servidora; a plataforma removeu o perfil no dia seguinte.
  • Nas operações físicas, o pai de Vorcaro financiava e coordenava o braço de intimidações, com participação de bicheiros, milicianos e policiais; houve ameaças a jornalistas e tentativas de coagir adversários, incluindo o jornalista Lauro Jardim.

O Ministério da Justiça divulga que a Polícia Federal detalha uma estrutura criminosa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a PF, havia um núcleo de hackers e um braço de capangas usados para ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidações armadas contra adversários. O esquema utilizava inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e participação de policiais e bicheiros.

A investigação aponta que os grupos operavam sob os nomes “Os Meninos” (no meio digital) e “A Turma” (nas ações presenciais). Os relatórios da PF embasaram mandados de prisão preventiva autorizados pelo STF. Victor Lima Sedlmaier, hacker, foi preso em Dubai em ação conjunta internacional. Sedlmaier afirmou trabalhar desde 2024 prestando serviços tecnológicos pelo grupo.

O núcleo hacker teriam recebido ordens de David Henrique Alves, apontado como chefe, com salário mensal de 35 mil reais. Em março, Alves foi interceptado pela PRF em Minas Gerais com equipamentos computacionais. O veículo era de Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que cometeu suicídio no mesmo dia.

Falsificação de documento público

A PF identificou que o grupo solicitou a remoção de um perfil falso ligado à então noiva de Vorcaro. O falso ofício, supostamente do Ministério Público do Ceará, pediu à rede social a exclusão do perfil. O documento apresentava assinatura de uma servidora, Nayara Maria, em lugar da promotora. Não há confirmação de participação da servidora na fraude.

A plataforma removeu o perfil no dia seguinte. A PF não concluiu se houve envolvimento direto da servidora, e a investigação não detalha a participação de outros atores no envio do ofício.

Operações físicas e intimidações

Segundo a PF, Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, financiava e operava o braço físico da estrutura. O grupo “A Turma” reunia bicheiros, milicianos e policiais em atividade e aposentados para ameaças, intimidações e acessos indevidos a sistemas governamentais. Entre os integrantes, estava Marilson Roseno da Silva, transferido para o Presídio Federal de Brasília.

A perseguição ao jornalista Lauro Jardim, do O Globo, foi citada como motivação do pedido de prisão de Daniel Vorcaro em março. Mensagens de julho do ano anterior mostram Vorcaro solicitando a hackers que prejudicassem o repórter. A PF aponta tentativas de contato com o jornalista via WhatsApp simulando ser um colega de imprensa.

Luis Felipe Woyceichoski, ex-capitão do iate de Vorcaro, relatou que sete homens o abordaram em uma marina no Rio de Janeiro. Um homem identificado como Manoel ligou para ameaçar, segundo a PF, em razão de vídeos apresentados a respeito de irregularidades no barco.

Ex-chef da casa de Vorcaro em Angra dos Reis afirmou ter sido abordado por dois homens em hotel. Um deles se apresentou como Manoel ou Emanuel. O outro permaneceu em silêncio. O principal apontou para outros seis a sete homens, dizendo agir por ordem de Daniel Vorcaro.

O que dizem os citados

A defesa de Sedlmaier afirmou que detalhes serão elucidadores no curso do processo e que ainda não teve acesso completo aos dados. Os advogados pediram a transferência do preso para Minas Gerais. Já a defesa de Henrique Vorcaro negou participação em ilícitos, alegando omissão de documentos que mostrariam serviços legais de negociação e vigilância de terrenos.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou que não comentaria o tema. O Fantástico não conseguiu contato com Nayara Maria, servidora do MP-CE citada na fraude. Todas as informações são objeto de investigação em curso pela PF.

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