Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Carros inteligentes: risco de espionagem não detectada e medidas de proteção

Carros conectados coletam dados detalhados de motoristas e veículos, levantando questões de privacidade e impactos no seguro

Os carros modernos são computadores sobre rodas, e grandes corporações estão usando esses veículos para coletar detalhes íntimos sobre a sua vida e lucrar ainda mais com isso
0:00
Carregando...
0:00
  • Carros modernos funcionam como dispositivos conectados que coletam localizações, hábitos de direção, pessoas no veículo, uso do rádio e até sinais vitais e expressões faciais, com envio de dados para montadoras ou aplicativos.
  • Montadoras podem vender ou compartilhar esses dados com seguradoras e outras empresas; relatório da Mozilla aponta que políticas atuais não atendem padrões de privacidade e segurança.
  • Casos já relatados incluem a General Motors vendendo dados para LexisNexis, o que influenciou reajustes de seguro, e ações da FTC restringindo a venda de dados por cinco anos.
  • Nos Estados Unidos, uma lei que exige câmeras e monitoramento para identificar motoristas bêbados ou cansados deve ampliar a coleta de dados, sem regras claras sobre seu destino.
  • Para reduzir riscos, consumidores podem desativar telemetria, exigir acesso e exclusão de dados, ajustar configurações de privacidade e acompanhar regras locais de proteção de dados, como a LGPD no Brasil.

Os carros modernos coletam dados sobre os motoristas, desde trajetos até comportamentos no volante. A prática, já presente há alguns anos, cresce com a conectividade dos veículos e envolve políticas de privacidade cada vez mais complexas. O tema ganha destaque à medida que novas leis surgem nos EUA e a proteção de dados segue tendência global.

Especialistas apontam que informações roubadas podem incluir localização, ocupantes, hábitos de condução e até dados biométricos em alguns modelos. Montadoras afirmam que o compartilhamento ocorre com consentimento, mas a falta de clareza sobre quem recebe os dados preocupa usuários e autoridades.

Em 2021, estima-se que metade dos carros em circulação já tinham internet, com previsão de chegar a 95% até 2030. A expansão implica maior monitoramento de hábitos de direção, uso de apps conectados e, segundo relatos, potencial venda de dados a terceiros.

A Mozilla avaliou políticas de privacidade de 25 marcas e concluiu que nenhuma atendia plenamente padrões de privacidade. Relatos indicam que dados sensíveis podem chegar a informações como saúde, vida familiar e até vida sexual, segundo a análise da organização.

Algumas montadoras negam a prática de coletar dados sensíveis de forma indiscriminada. Em declarações, executivos da Kia afirmaram que certas categorias aparecem apenas por conformidade com definições legais, ainda que não detalhem o que realmente é coletado.

Câmeras internas, sensores no painel e no volante, além de conectividade permanente, fortalecem o conjunto de informações geradas. A Mozilla aponta que quase todas as montadoras podem vender dados dos usuários, sob termos aceitos nos contratos.

Nos Estados Unidos, a falta de lei federal de privacidade gera um mosaico regulatório. Proteções estaduais variam e não cobrem de forma completa a coleta de dados em veículos, o que preocupa autoridades e consumidores.

A indústria argumenta que a coleta viabiliza segurança e serviços personalizados, como detecção de fadiga ou álcool ao dirigir. Contudo, a questão central é o destino desses dados e o controle que o motorista tem sobre eles.

Casos de fiscalização existem. A Comissão Federal de Comércio interditou venda de dados de veículos pela GM por cinco anos, após investigações sobre uso de dados de localização sem consentimento. Medidas semelhantes existem em andamento.

Além de regras, há práticas de monetização envolvendo seguradoras, provedores de apps e terceiros. A falta de transparência dificulta saber quem compra os dados, para quais finalidades e por quanto tempo ficam disponíveis.

Consumidores podem reduzir riscos: evitar programas de telemetria de seguradoras e revisar as opções de privacidade no sistema do veículo. Em alguns locais, é possível solicitar cópia dos dados e exigir exclusão.

No Brasil, a LGPD estabelece diretrizes gerais de proteção de dados, inclusive para informações coletadas por dispositivos automotivos. A adequação das montadoras nacionais permanece em discussão, com impactos sobre privacidade e seguros.

Especialistas ressaltam a necessidade de salvaguardas claras para o uso de dados de veículos. A expectativa é que futuras regulações expandam direitos dos consumidores e imponham limites à venda de informações.

A indústria diz estar atenta aos cenários regulatórios, mas reconhece que o ecossistema de dados ainda está em evolução. A discussão envolve privacidade, segurança e inovação no mercado de carros conectados.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais