- Estudos associam consumo elevado de carne vermelha, especialmente carne processada, a maior risco de diabetes tipo 2, embora não comprovem causalidade.
- Pesquisa com 34.737 adultos do NHANES, publicada em fevereiro, mostrou maior probabilidade de diabetes entre quem excedia porções de carne vermelha e processada; proteínas vegetais foram associadas à redução do risco.
- Outro estudo, de 2023, na American Journal of Clinical Nutrition, confirmou associação, mas também ressaltou que se trata de observação, não de causalidade.
- Cerca de 50% da relação entre carne e diabetes seria mediada pelo excesso de peso, sugerindo que o ganho calórico e a obesidade ajudam a explicar parte do efeito.
- Fatores protetores incluem leguminosas e outras fontes de proteína vegetal, fibras, alimentação variada e prática regular de atividade física; redução de carne e escolha de alimentos ricos em fibras podem favorecer o equilíbrio glicêmico.
O consumo elevado de carne vermelha e, especialmente, de carnes processadas tem sido associado a um aumento do risco de diabetes tipo 2, segundo pesquisas recentes. Estudos indicam queDietas com porções maiores de carne vermelha podem estar ligadas a maior probabilidade de desenvolvimento da doença, enquanto fontes proteicas vegetais aparecem associadas à redução do risco.
Pesquisas publicadas recentemente analisaram dados de grandes populações para entender essa relação. Um estudo da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia reuniu informações de 34.737 adultos do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) dos EUA. A partir de dados de consumo alimentar, observou-se maior probabilidade de diabetes entre aqueles que consumiam mais carne vermelha e carne processada, como bacon, salsicha e presunto.
Outro estudo, divulgado em 2023 na American Journal of Clinical Nutrition, também encontrou associação entre alta ingestão de carne vermelha e diabetes, mas enfatizou que o desenho é observacional e não estabelece causalidade. Especialistas destacam que fatores como peso corporal influenciam bastante esse vínculo.
Fatores-chave e mecanismos
Cerca de metade da associação entre carne vermelha e diabetes estaria relacionada ao excesso de peso. O balanço calórico positivo contribui para obesidade, que aumenta a resistência à insulina. A gordura saturada presente na carne também pode prejudicar a ação da insulina, dificultando a entrada de glicose nas células.
As carnes processadas possuem, além da gordura saturada, aditivos como nitritos, que podem impactar a microbiota intestinal. A disbiose pode elevar a permeabilidade intestinal e favorecer inflamações ligadas à resistência à insulina. Esses efeitos abrangem frios e embutidos, além de carnes processadas mais comuns no dia a dia.
Proteção de outros alimentos e hábitos saudáveis
Leguminosas como feijões, grão-de-bico e lentilha aparecem como fatores protetores, por oferecerem proteína de qualidade com alta fibra, beneficiando o equilíbrio da microbiota e o metabolismo da glicose. Alternar diferentes fontes proteicas no preparo das refeições ajuda a evitar monotonia e mantém a dieta mais equilibrada.
Além da alimentação, hábitos saudáveis também atuam na proteção contra o diabetes. A prática regular de atividade física, combinação de exercícios aeróbicos e musculação, favorece a utilização de glicose pelo músculo. Manter sono de qualidade e peso adequado completa o conjunto de medidas preventivas.
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