- A Apaeb, fundada em mil novecentos e oitenta, centraliza a produção de sisal no semiárido baiano e exporta para vinte e quatro países, chegando a oito centenas de toneladas de fibra exportadas.
- A cooperativa depende do esforço de produtores como Cassiano Rios, cuja família aumentou a produção de sisal de 16–20 quilos diários para cerca de quatrocentos quilos por dia, com o uso de motores.
- O sisal passa por três a quatro dias de secagem antes de seguir para beneficiamento; Cassiano diversifica com plantio de espécies nativas para enfrentar a desertificação causada pela queda de chuvas.
- A região representa cerca de noventa por cento da produção brasileira de sisal, e o cooperativismo é apontado como caminho para consolidar o ouro-verde no mercado internacional.
- Especialistas defendem um sistema agroecológico mais integrado, para reduzir impactos ambientais; o cooperativismo é visto como ferramenta de organização entre produtores e de reavaliação do modelo produtivo.
O ouro-verde do sertão baiano ganha fôlego com a atuação de cooperativas e a melhoria de processos. Em Valente, no sertão da Bahia, a produção de sisal avança de modo artesanal para um sistema mais integrado, com apoio de associações locais. O movimento envolve famílias, produtores e a Apaeb, fundada em 1980.
Cassiano Rios, 48 anos, integra uma empresa familiar que forma, limpa e comercializa a fibra de sisal. Inicialmente, o processamento era rudimentar, com duas lâminas, rendendo 16 a 20 quilos diários. Hoje, a produção pode chegar a 400 quilos por dia graças a motores que aceleram a extração da fibra.
Antes da parceria com a Apaeb, o cultivo dependia de ciclos longos. Com as mudanças climáticas na região de Valente, o crescimento das folhas se estende a um ano e meio. Cassiano explica que o manejo de áreas com árvores ajuda a manter o cultivo mesmo em períodos de seca.
A fibra de sisal, após a colheita, passa por secagem de três a quatro dias e segue para a Apaeb. A cooperativa reúne produtores de cerca de 46 municípios e atua no mercado internacional, com exportação de fibra para diversos países.
O histórico da produção de sisal na região remonta a 1948, quando a cultura começou a se consolidar. Hoje, aproximadamente 90% da produção brasileira parte do semiárido baiano, com a cooperação local facilitando a comercialização regional e internacional.
O papel do cooperativismo
Especialistas destacam que o manejo inadequado do solo e a monocultura ampliam o risco de desertificação. A desertificação resulta de clima extremo aliado a práticas produtivas intensivas. Há necessidade de repensar o sistema produtivo para reduzir danos ambientais.
Um modelo mais agroecológico, com produção integrada e atenção às respostas da natureza, é defendido por pesquisadores. As cooperativas podem viabilizar mudanças estruturais ao consolidar redes entre produtores diversos.
Para o professor Gustavo Hess de Negreiros, da UFVSA, o cooperativismo aparece como caminho viável para ampliar a discussão ambiental entre agricultores familiares e grandes produtores. A ideia é promover uma reavaliação do sistema produtivo como um todo.
Perspectivas de mercado
O R7 Planalto acompanhou desde o manejo da fibra até o beneficiamento e a confecção de tapetes no sertão baiano. A Apaeb exporta atualmente 800 toneladas de fibra para 24 países, com resíduos da fibra alimentando o gado e o processamento considerado sustentável.
Ismael Ferreira de Oliveira destaca que a força coletiva do cooperativismo facilita a concorrência com grandes players do setor. Segundo ele, a união entre produtores é fundamental para manter a renda de moradores de várias cidades da região.
A reportagem reforça que o avanço do sisal depende de práticas agroecológicas, cooperação entre produtores e políticas de manejo ambiental que valorizem a diversidade do semiárido. O conteúdo foi produzido com apoio do Sistema OCB.
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