- A UNEP alerta que a extração global de areia chega a cinquenta bilhões de toneladas por ano, acima da capacidade de reposição do planeta.
- O ritmo atual é suficiente para construir mais de 19 mil pirâmides de Gizé e a demanda por construção deve crescer quarenta e cinco por cento até 2060.
- Sem governança coordenada, monitoramento mais robusto e planejamento de longo prazo, a atividade continua em nível insustentável, dizem os autores.
- O Sudeste Asiático aparece como epicentro de oferta e demanda, com projetos de recompra de terras, megaprojetos urbanos e exportação de areia causando erosão, degradação costeira e prejuízos para a pesca local.
- O relatório recomenda gestão estratégica, melhor dados, mapeamento e monitoramento, uso de ferramentas como Marine Sand Watch e Sand Assessment Tool, e maior transparência em licenças e financiamentos.
O relatório da UNEP aponta que a extração de areia atinge patamar insustentável, com cerca de 50 bilhões de toneladas retiradas ao ano em todo o mundo. A areia é fundamental para o concreto na construção de casas, ruas e infraestrutura costeira, bem como para vidro e componentes eletrônicos. O estudo enfatiza riscos para ecossistemas, meios de subsistência locais e serviços ambientais.
A UNEP alerta que o ritmo atual supera a capacidade natural de reposição do recurso. A demanda por construção deve crescer 45% até 2060, o que intensifica a pressão sobre rios, zonas costeiras e áreas de barragem. Sem governança coordenada, monitoramento adequado e planejamento, os impactos devem se ampliar.
O relatório, elaborado pela GRID-Geneva, recomenda melhoria nas práticas de extração para equilibrar demanda e proteção ambiental. A proposta é adotar uma visão estratégica com governança nacional e de setores, além de planificação de longo prazo.
Foco regional: Sudeste Asiático e impactos locais
Na região, grandes projetos de valorização de território e exportação de areia aceleram a erosão fluvial, degradação costeira e prejuízos a meios de subsistência locais. A mineração de areia afeta vários ecossistemas, incluindo recifes e mangues.
No Sudeste Asiático, a extração está ligada a recusalas de áreas pesqueiras, deslocamento de comunidades e perda de empregos. Em alguns casos, a atividade já reduz renda de pescadores em até 80% e compromete serviços ecossistêmicos críticos.
A situação no Mekong evidencia efeitos de longo alcance: aumento do extrato durante a entressafra e impactos na vazão de cheias sazonais, prejudicando comunidades ribeirinhas e a produção agrícola local. A construção de infraestrutura na bacia intensifica a demanda por areia.
Recomendações e caminhos
O relatório sugere uso de plataformas de monitoramento e avaliação para incorporar a biodiversidade às decisões sobre extração. Recomenda-se maior transparência em licenciamento e fluxo de recursos, além de aderência a normas ambientais.
Governos e setor privado são chamados a desenvolver roteiros nacionais e setoriais para manejo responsável da areia. A ideia é orientar escolhas sobre retirada ou preservação de áreas com alto valor ecológico, com base em dados, mapeamento e monitoramento robustos.
A UNEP recomenda ainda reduzir a exploração descoordenada por meio de promoção de práticas de extração mais responsáveis e da internalização de custos ambientais. Assim, busca-se manter a areia como recurso estratégico para prosperidade humana e saúde planetária.
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