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Estudo usa 4.000 fotos para identificar o cão amazônico mais raro da Bolívia

Estudo em Bolívia, com vinte anos de capturas, mostra 4.635 imagens do cão de orelhas-curtas, destacando a dependência de florestas intactas para sobrevivência

The short-eared dog inhabits the Amazon and prefers untouched forests. Image courtesy of Guido Ayala & María Viscarra/WCS Bolivia.
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  • Estudo realizado entre 2001 e 2024 em Bolivia revelou mais de 4.635 fotos de armadilhas mostrando o comportamento, os habitats e a dependência do sucesso da espécie em florestas intactas.
  • O animal, conhecido como cão-phantasma (perro fantasma) e cão amazônico, é nativo de florestas amazônicas, com ocorrência em florestas contínuas no norte de La Paz, Pando, Beni e norte de Santa Cruz.
  • Foram realizadas 34 campanhas intensivas de armadilhas fotográficas nas áreas de Madidi-Tambopata e Llanos de Moxos, revelando que a espécie é mais comum em áreas protegidas.
  • O cão de orelha curta costuma ser diurno, crepuscular e, em menor medida, ativo à noite; prefere floresta de baiximpo, longe de áreas abertas e de rios, com densas pelo preto-avermelhadas e cauda longa.
  • A pesquisa, apoiada pela Wildlife Conservation Society, indica que grandes extensões de floresta contínua são necessárias para manter populações viáveis a longo prazo do cão-phantasma.

O estudo boliviano sobre o cão-phantasma demonstrou, com mais de duas décadas de dados, que Atelocynus microtis é mais comum do que se pensava, mas ainda é raro. Ao longo de 2001 a 2024, foram obtidas 4.635 fotos de armadilhas, em 594 eventos, para entender seu comportamento e habitat.

A pesquisa, realizada pela Wildlife Conservation Society (WCS) em Bolivia, reuniu imagens de áreas de floresta amazônica contínua no norte de La Paz, em Pando, Beni e Santa Cruz, além de áreas de piedmont andinas até 750 metros de altitude. O objetivo foi mapear distribuição e uso do habitat.

Robert Wallace, biólogo britânico da WCS BolÍvia, explica que a espécie é essencialmente florestal e evita áreas abertas. As armadilhas mostraram o animal ativo principalmente de dia, com atividades esporádicas ao crepúscio, em florestas maduras longe de rios.

A análise revelou que o cão-phantasma parece mais abundante em áreas protegidas e em territórios indígenas que se sobrepõem a áreas de conservação. Os resultados ressaltam a necessidade de grandes trechos contínuos de floresta para a sobrevivência de populações viáveis.

O estudo também envolveu 34 expedições com armadilhas em paisagens chave, como o Greater Madidi-Tambopata e o Llanos de Moxos, com apoio da ORÉ e do Noel Kempff Mercado Natural History Museum. O animal mede cerca de 70 a 100 cm, pesa 9 a 10 kg, e tem patas parcialmente webbed, uma característica distintiva.

Os pesquisadores indicam que a preservação de florestas ininterruptas, sem criação de corredores com áreas abertas, é crucial para manter a população do cão-phantasma a longo prazo. A espécie é uma das menos conhecidas entre os canídeos da região.

ORÉ classifica o animal como único no seu gênero e o descreve como carnívoro solitário, com comportamento bastante evasivo. Estudos sugerem que a conservação depende de proteção de grandes blocos de floresta e de territórios comunitários.

A equipe de pesquisa destaca que a observação direta continua desafiadora, dada a sensibilidade a humanos e predadores naturais. Ainda assim, o uso de tecnologias de monitoramento facilita a compreensão do comportamento da espécie.

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