- O texto defende que pequenos agricultores não são o elo fraco na proteção florestal, destacando que muitas iniciativas tratam-nos como risco, quando são parte central do manejo da terra na Indonésia.
- A High Carbon Stock Approach (HCSA) criou, com participação de empresas, ONGs e outras partes, uma metodologia de referência para evitar desmatamento, mas sua implantação enfrentou limitações em áreas com comunidades locais e pequenas propriedades.
- Para facilitar a participação dos pequenos agricultores, foi desenvolvido o Dando um Toolkit Simplificado para Pequenos Agricultores na Indonésia, centrado no conhecimento local, consentimento livre, prévio e informado e mapeamento de florestas e terras comunitárias.
- Em 2024 foi publicado o toolkit, e em 2026 a fundação Farmers for Forest Protection (4F) intensifica atuação em Kalimantan, conectando proteção florestal a produção agrícola e apoio institucional, com apoio de organizações filantrópicas e da Agência Nacional de Pesquisa e Inovação da Indonésia.
- A reportagem reforça a necessidade de compromisso de longo prazo de doadores, governos e empresas, para que comunidades locais recebam direitos, incentivos e mercados estáveis, evitando que a proteção florestal seja vista como bônus de curto prazo.
Smallholders não são o elo fraco na proteção florestal, afirma especialista. Em cadeias de fornecimento livres de desmatamento, costumam ser vistos como risco. Ao longo de anos em sustentabilidade corporativa, ela reforça a necessidade de entender esse desafio.
Ela relata que, no início da carreira, acreditava ser necessário impor padrões, mas descobriu que a proteção efetiva depende do envolvimento direto das comunidades. Muitas conversas duras com comunidades mudaram sua visão.
Em particular, a autora cita o Longo Caminho para a toolkit de desmatamento zero, desenvolvido com participação de organizações de pequenos produtores. O objetivo é simplificar regras para que cheguem a áreas com menor risco de desmatamento.
Contexto técnico e institucional
O conjunto de princípios HCSA (High Carbon Stock Approach) foi criado para embasar decisões empresariais com base em dados científicos. Contudo, a aplicação prática esbarra na diversidade de posse e uso da terra na Indonésia.
Pequenos produtores representam boa parte das áreas plantadas no país, especialmente no setor de óleo de palma. Eles variam entre famílias de baixa renda e produtores com maior escala, acesso a insumos e compradores.
Desafios de implementação
Alguns compromissos de desmatamento zero criam custos para os pequenos, que precisam de mapas, documentação e rastreabilidade. Sem apoio, há risco de deslocamento de desmatamento para áreas menos monitoradas.
Para enfrentar isso, a fundação Deforestation-Free Toolkit for Smallholders foi criada para Indonesia, com abordagem descentralizada que valoriza saberes locais e consentimento livre, prévio e informado.
Experiência de campo e lições
A autora relembra visitas a Sanggau, West Kalimantan, onde comunidades alertam: a floresta tradicional é parte de uma vida longa, não apenas de projetos. O pedido é por reconhecimento legal, incentivos e apoio de longo prazo.
Eles afirmam que não são apenas um projeto, mas pessoas ligadas à terra há séculos. Pedem segurança de direitos, apoio para manter florestas e integração com políticas públicas e compradores.
Avanços e parcerias
Em fevereiro de 2026, a equipe da 4F chegou a Sanggau com apoio de uma organização filantrópica dos EUA e parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa e Inovação (R&D). O foco é demonstrar conexões entre proteção florestal e produção de culturas saudáveis.
A parceria visa mostrar como commodities livres de desmatamento podem se conectar a um mercado, com suporte a governos locais, sociedades de pequenos produtores e compradores.
Caminho adiante
A prática evidencia que proteger florestas depende de apoio contínuo, especialmente para mapas, regularização de terras e ligações de mercado estáveis. A mudança depende de manter investimentos ao longo de anos, não de ciclos de projeto.
O texto conclui que pequenas comunidades não são liabilities, mas parceiras com conhecimento, direitos e responsabilidades. Para manter as florestas, governantes, doadores e empresas precisam estruturar apoio de longo prazo.
Sobre a autora
Aida Greenbury atua como líder em sustentabilidade e políticas de uso da terra, com atuação na Ásia. Ela já ocupou posição executiva em grande empresa de florestas e papel, contribuindo para compromissos sem desmatamento e inclusão de pequenos produtores.
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