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Tempo passa mais rápido com a idade: como o cérebro altera a percepção temporal

Bejan explica que o tempo mental se comprime com a idade, à medida que a velocidade de processamento e o registro de novidades do cérebro diminuem

O tempo parece acelerar quando somos mais velhos – Repodução
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  • A percepção do tempo muda com a idade: o tempo físico é constante, mas o tempo mental depende de como o cérebro registra imagens.
  • Na infância, o cérebro grava muitos quadros por segundo; com a idade, atrasos na transmissão neural e desgaste das conexões reduzem essa atualização.
  • Por isso, períodos cheios de novidades parecem mais longos, enquanto rotinas parecem ter passado rápido na memória.
  • Fatores que intensificam essa sensação incluem menos novidades, mais repetição e uma vida cotidiana mais previsível.
  • A explicação, defendida por Adrian Bejan, aponta mudanças neurais e de processamento visual como bases físicas para a percepção de que o tempo voa.

Entre as explicações sobre por que o tempo parece acelerar com a idade, a teoria biofísica de Adrian Bejan ganha destaque. O pesquisador da Duke University sustenta que a percepção temporal depende de como o cérebro registra imagens mentais ao longo da vida. Quanto mais lento esse registro, mais curto o passado parece.

Bejan associa a percepção de tempo à velocidade de processamento visual e à biologia neural. Durante a infância, redes neurais são altamente plásticas e produzem muitos “quadros” por segundo, gerando lembranças densas. Na idade adulta, esse ritmo diminui.

O relógio físico segue constante, mas o tempo mental varia conforme a biologia individual. O envelhecimento envolve atraso na condução neural, metabolismo mais lento e desgaste sináptico, o que reduz a taxa de atualização das imagens mentais e, com isso, a percepção de tempo.

Tempo físico x tempo mental

Para a biofísica, o tempo percebido depende da quantidade de eventos internos registrados por unidade de tempo. Muitos registros em pouco tempo parecem longos; poucos, curtos. Bejan comparou isso a uma câmera: mais frames, mais detalhes, menos percepção de passagem rápida.

Em 2019, ele publicou na European Review a ideia de que a juventude registra muitas primeiras experiências, exigindo processamento intenso. Com o tempo, o cotidiano tende a se tornar previsível, reduzindo o número de novidades e a densidade de memórias formadas.

O resultado é que, ao olhar para trás, períodos com mais mudanças parecem mais longos. Já períodos estáveis e repetitivos geram a sensação de que os anos passaram rapidamente, mesmo que o calendário não tenha alterado seu ritmo.

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