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Avaliação de Art Cure de Daisy Fancourt indaga se a cultura é a melhor medicina

Arte como medicina: evidências indicam que envolvimento criativo reduz estresse e dor, eleva bem-estar e pode gerar economia para o sistema de saúde

A visitor to the 2020 summer exhibition at the Royal Academy, London.
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  • Daisy Fancourt, professora da University College London, defende que as artes podem impactar a saúde de forma mensurável, indo além do aspecto estético.
  • Ela propõe decompor intervenções artísticas em “ingredientes ativos” e testar seus efeitos biológicos, como cantar para recém-nascidos em UTI.
  • Evidências indicam que engajamento criativo pode reduzir estresse e dor, melhorar equilíbrio em Parkinson e ajudar pacientes em ventilação a respirar melhor.
  • Casos humanos ilustram impactos, como uma mãe que encontra melhoria com classe de bem‑estar e um idoso com demência que se aproxima de um estado mais lúcido ao ouvir uma gravação de Singin’ in the Rain.
  • O livro aponta ganhos econômicos e de saúde pública, citando possível aumento salarial de £1,500 e economia de £1,5 bilhões na NHS, além de alertar para cortes de financiamento à arte e a necessidade de reconhecer a arte como parte da medicina.

Daisy Fancourt, professora de psicobiologia e epidemiologia da University College London, defende que as artes podem influenciar a saúde de forma mensurável. Em seu livro Art Cure, ela propõe desmembrar a experiência artística em componentes quantificáveis e explicar como cada ingrediente ativa vias biológicas que afetam bem-estar, memória e humor.

A autora narra desde a experiência pessoal com a filha Daphne, nascida prematura, até a relação entre arte e tratamento médico. Ela apresenta evidências de que atividades como cantar para bebês em unidades de terapia intensiva reduzem frequência cardíaca, melhora a respiração e incentivam a alimentação.

Art Cure não promete milagres, mas analisa como intervenções artísticas, associadas a tratamentos convencionais, podem reduzir estresse e dor, melhorar equilíbrio e facilitar a respiração de pacientes. Diferentes práticas atuam por caminhos distintos, envolvendo estímulo neural, autoestima e até expressão gênica.

O livro também traz relatos humanos, como mães em programas de bem‑estar e pacientes com demência, para ilustrar resultados em contextos clínicos. O foco é ampliar o questionamento de saúde de “o que há de errado?” para “o que importa para cada pessoa?”.

Do ponto de vista econômico, Fancourt destaca que engajamento regular com as artes pode ter impactos financeiros e clínicos, incluindo potenciais ganhos salariais e redução de custos com demência no NHS e em serviços de assistência social. Ela observa, porém, que o financiamento para artes permanece aquém em várias frentes.

Ela questiona ainda a natureza das artes como ingredientes pré‑definidos ou como experiências únicas, vividas por cada indivíduo. Segundo a pesquisadora, entender a arte como parte da medicina requer reconhecer seu poder além de mecanismos mensuráveis.

Art Cure não fornece respostas definitivas, mas defende uma visão mais ampla de medicina. A obra sugere considerar pessoas, comunidades e identidade como componentes da saúde, valorizando criatividade e propósito tão relevantes quanto qualquer fármaco.

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