- Pesquisadores registraram distâncias recordes percorridas por baleias jubarte, com análise de cerca de vinte mil fotografias das caudas desde a década de oitenta.
- Uma baleia fotografada em Hervey Bay, na Austrália, em 2013, foi vista em São Paulo, Brasil, em 2019, percorrendo mil quatrocentos e vinte quilômetros em linha reta.
- A segunda baleia foi fotografada em Abrolhos, Bahia, em 2003 e, em setembro de 2025, em Hervey Bay, totalizando quinze mil e cem quilômetros, a maior distância entre avistamentos de uma única baleia.
- As identificações foram feitas por meio de imagens das caudas, únicas para cada indivíduo, com algoritmo de reconhecimento de imagens e verificação visual pelos pesquisadores.
- As descobertas indicam intercâmbio entre populações, sugerindo potencial ganho de diversidade genética e transmissão de comportamentos, em um fenômeno ainda considerado raro, representando cerca de 0,01% das baleias identificadas.
Uma pesquisa publicada nesta terça-feira revelou as distâncias mais longínquas já registradas entre baleias jubarte em avistamentos individuais. A análise utilizou cerca de 20 mil fotos de caudas capturadas desde a década de 1980 e identificou dois animais que cruzaram o Pacífico, ligando o leste da Austrália ao Brasil.
As baleias foram identificadas por meio de padrões únicos nas caudas, como impressão digital. Um animal fotografado em Hervey Bay, Austrália, em 2013, reapareceu em São Paulo, Brasil, em 2019, percorrendo 14.200 quilômetros em linha reta. Outra baleia foi avistada em Abrolhos, Bahia, em 2003 e, em setembro de 2025, em Hervey Bay, após 22 anos, num trajeto de 15.100 quilômetros.
A pesquisa, publicada pela Royal Society Open Science, aponta que trajetos tão longos são raros: em mais de quatro décadas, apenas dois indivíduos desse tipo foram encontrados entre quase 20 mil. A equipe ressalta que esse intercâmbio entre populações pode ampliar a diversidade genética e facilitar a transmissão de comportamentos entre as baleias.
Metodologia e alcance
Segundo a pesquisadora Stephanie Stack, da Universidade Griffith, o uso de plataformas de ciência cidadã permitiu consolidar dados de décadas distintas. O estudo ligou populações tradicionalmente consideradas separadas em suas áreas de reprodução. Ela destacou que a confirmação fotográfica de trocas entre continentes não havia ocorrido antes.
O estudo também enfatiza o papel dessas plataformas na ciência de longo prazo. Fotografias enviadas por observadores de várias partes do mundo foram cruzadas com catálogos de pesquisadores para mapear trajetos e identificações únicas, abrindo caminhos para novas perguntas sobre migração e adaptação das baleias.
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