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Baleias-jubartes percorrem 15 mil km entre Brasil e Austrália

Baleias-jubarte registram trajeto recorde de 15,1 mil km entre Brasil e leste da Austrália, evidenciando conectividade genética e efeitos de mudanças climáticas

Pela primeira vez, pesquisadores documentaram baleias jubarte viajando entre áreas de reprodução no leste da Austrália e no Brasil, cruzando mais de 14.000 quilômetros de oceano aberto — Foto: Pacific Whale Foundation
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  • Cientistas registraram a travessia de baleias jubarte entre o Brasil e o leste da Austrália, em jornadas que ultrapassam quinze mil quilômetros, estabelecendo um novo recorde de distância entre avistamentos.
  • A conclusão se baseia na comparação de quase vinte mil fotografias de caudas coletadas ao longo de quatro décadas, com duas baleias identificadas em registros no litoral brasileiro e na Austrália.
  • O caso mais marcante envolve uma baleia fotografada pela primeira vez em 2003 no Banco de Abrolhos, na Bahia; em setembro de 2025, foi avistada em Hervey Bay, Queensland, após uma viagem estimada em about 15,1 mil quilômetros, a maior distância já documentada.
  • A identificação das baleias foi feita por meio de padrões únicos na cauda, com apoio de inteligência artificial via a plataforma Happywhale, aliado à validação de pesquisadores.
  • Embora raros — apenas dois indivíduos em mais de quarenta anos — esses deslocamentos podem não representar rota migratória regular, mas podem contribuir para a diversidade genética; mudanças climáticas podem tornar tais travessias mais comuns no futuro, reforçando a necessidade de cooperação internacional para a conservação.

Dois avistamentos de baleias jubarte, em continentes diferentes, comprovam uma travessia oceânica de mais de 15 mil quilômetros entre o Brasil e o leste da Austrália. O registro ocorreu com base em fotografias de caudas únicas, coletadas ao longo de décadas.

A pesquisa internacional, publicada nesta quarta-feira na Royal Society Open Science, identifica duas jubartes que aparecem tanto no litoral brasileiro quanto no australiano. O estudo aponta o caso mais antigo como uma jornada de cerca de 15,1 mil km, considerada a maior distância já documentada entre avistamentos.

Os pesquisadores usaram 19.283 fotos entre 1984 e 2025, obtidas no leste australiano e na América Latina, com validação por inteligência artificial que compara padrões de caudas. A confirmação final ficou a cargo de especialistas.

O que tornou o caso único

Uma jubarte fotografada em 2003 no Banco de Abrolhos, Bahia, reapareceu em setembro de 2025 em Hervey Bay, Queensland. A equipe destaca a distância estimada da viagem como a maior registrada para a espécie, embora apenas pontos de início e fim tenham sido documentados.

Outra baleia, vista em Hervey Bay em 2007 e 2013, reapareceu em 2019 na costa de São Paulo. A distância em linha reta entre os locais é de cerca de 14,2 mil km, sugerindo que a rota pode ter sido ainda maior na prática.

Significados científicos e ambientais

Os cientistas ressaltam que deslocamentos tão extremos são eventos raros, correspondendo a cerca de 0,01% do total identificado ao longo de mais de quatro décadas. Ainda assim, podem contribuir para a diversidade genética entre populações.

As jornadas são analisadas como possíveis indicadores de mudanças climáticas, que afetam gelo marinho e a distribuição do krill antártico, alimento das jubartes. A pesquisa aponta impactos potenciais nas rotas migratórias futuras.

Papel da ciência cidadã e cooperação internacional

Os autores destacam o valor da ciência cidadã, com imagens fornecidas por pesquisadores e curiosos do registro de cetáceos. A colaboração entre países é apontada como crucial para monitorar espécies migratórias de ampla circulação.

A equipe também menciona a hipótese da Troca no Oceano Antártico, na qual baleias de diferentes populações se encontram em áreas de alimentação compartilhadas e podem adotar novas rotas ao retornar às áreas de reprodução.

Relevância para conservação

Os resultados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de ações transfronteiriças para proteger espécies altamente migratórias. A comunicação entre nações é destacada como essencial para políticas de conservação eficazes.

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