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Cercas elétricas ajudam fazendeiros e elefantes na fronteira da Zâmbia

Cercas elétricas ajudam agricultores e elefantes a conviver no corredor fronteiriço Zâmbia–Malawi, com monitoramento, educação e ações de gestão

Elephants (Loxodonta africana) in Malawi in 2006. Image by st georges via Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)
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  • Cercas elétricas em arame poliwire, fornecidas pela IFAW e pelo Departamento de Parques Nacionais e Vida Silvestre da Zâmbia, protegem as lavouras de Banda a cinco metros da fronteira com o Parque Nacional Kasungu, no Malawi.
  • Na fazenda vizinha, Msimuko mostra um “power house” com baterias solares que alimentam seis quilômetros de cerca elétrica, protegendo as plantações de 19 vizinhos.
  • As cercas são parte de um conjunto de medidas para convivência entre fazendeiros e elefantes, que inclui monitoramento por satélite, sinalização e programas de rádio educativos.
  • O projeto faz parte da Área de Conservação Transfronteiriça Malawi-Zâmbia, criada para permitir a movimentação de vida silvestre entre Kasungu, Lukusuzi e Luambe, mesmo com áreas agrícolas no trajeto.
  • Dados de 2025 mostram elefantes cruzando entre Kasungu e Lukusuzi, indicando que a conectividade pode existir, com intervenções de alerta precoce e resposta rápida.

O uso de cercas elétricas em áreas limítrofes entre Zâmbia e Malawi avança como medida de convivência entre produtores rurais e elefantes. Em Lundazi, Zâmbia, fazendeiros ergueram duas linhas de arame revestido em plástico laranja para proteger culturas próximas ao Kasungu National Park, no Malawi. A rede protege dezenas de hectares de milho, tabaco e girassol.

Produtores locais relatam eficácia das cercas. Esnart Banda, moradora de uma fazenda a poucos metros da fronteira, afirma que o telado elétrico funciona e desencoraja contatos diretos com o arame. Em fazenda vizinha, Harry Msimuko exibe um conjunto de baterias alimentadas por energia solar que abastece quase 6 quilômetros de cercaamento, protegendo ainda a produção de 19 vizinhos.

As iniciativas são parte de um conjunto de medidas coordenadas pela IFAW e pelo Departamento de Parques Nacionais e Fauna da Zâmbia (DNPW). Entre as ações estão o monitoramento de elefantes por satélite, sinalização educativa em escolas e centros comunitários, além de programas de rádio com relatos de agricultores sobre ataques de animais.

A fronteira entre Kasungu Park e Lukusuzi National Park, conectados pela Área de Conservação Transfronteiriça Malawi-Zâmbia, é o foco de esforços para manter a conectividade entre habitats. A meta é permitir a passagem de elefantes sem conflitos com comunidades agrícolas em um mosaico cada vez mais populoso.

Ndaimani, gerente de conservação da IFAW, mostra dados de julho com animais deslocando entre Kasungu e Lukusuzi, cruzando áreas agrícolas. Para ele, os corredores representam um desafio técnico, mas evidenciam potencial de conectividade quando há vegetação adequada e pontos de passagem.

Lideranças locais destacam dificuldades adicionais. A chefe Letesiya Phiri aponta que as rotas históricas de elefantes são substituídas por áreas de cultivo, dificultando a criação de corredores. Em Lukusuzi, a disponibilidade de água durante o ano pode limitar a movimentação dos rebanhos.

Ações de resposta rápida também aparecem na prática. Equipes móveis da IFAW, apoiadas pelo DNPW, respondem a incursões com dispositivos sonoros e disparos de alerta para dissuadir elefantes, buscando evitar danos a plantações sem recorrer à violência.

Agricultores envolvidos relatam mudanças no comportamento dos animais. Em certos casos, cercas elétricas e mecanismos de alerta reduziram choques entre fauna e lavouras, contribuindo para uma convivência mais pacífica entre pessoas e animais na região fronteiriça.

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