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Ciência brasileira busca melhorar alimentação de pessoas com doença celíaca

Pesquisa brasileira desenvolve pães sem glúten com fibras funcionais e baixo índice glicêmico, visando melhorar a alimentação de pessoas com doença celíaca

Pães: estudos testam formulações mais saborosas e livres de glúten (Foto: GI/Getty Images)
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  • Pesquisadoras brasileiras desenvolveram pães sem glúten com alta composição nutricional, enriquecidos com fibras funcionais e baixo índice glicêmico, usando ingredientes como amaranto, trigo sarraceno, quinoa, sorgo, milheto, grão-de-bico, feijão e pinhão.
  • A doença celíaca é uma reação autoimune ao glúten; estima-se que 1% da população global tenha anticorpos, correspondendo a mais de 2 milhões de pessoas no Brasil, com muitos ainda subdiagnosticadas.
  • O tratamento é a dieta livre de glúten para toda a vida, com cuidado para evitar contato cruzado entre alimentos, produtos e utensílios.
  • O mercado de produtos sem glúten enfrenta desafios de textura, sabor e preço; a pesquisa busca melhorar pães sem glúten para atender às necessidades dos celíacos.
  • Pesquisas recentes consideram aceitabilidade de pães sem glúten frescos e armazenados, estudo da microbiota intestinal e segurança alimentar, além de parcerias para monitorar o perfil nutricional de produtos sem glúten no Brasil e discutir segurança em restaurantes, escolas e hospitais.

A ciência brasileira avança na melhoria da alimentação de pessoas com doença celíaca. No mês de conscientização, pesquisadoras compartilham progressos no desenvolvimento de alimentos sem glúten voltados a essa população. A doença celíaca é autoimune e desencadeada pelo glúten, presente em trigo, centeio e cevada.

O diagnóstico envolve exames de sangue e biópsia intestinal, considerado padrão ouro. Aproximadamente 1% da população mundial tem anticorpos da doença, o que, no Brasil, representa mais de 2 milhões de pessoas potencialmente afetadas. Muitos ainda não sabem do diagnóstico.

Um cuidado crucial é evitar que pacientes se autodiagnostiquem ou retirem o glúten antes dos exames, o que pode comprometer resultados. Para confirmar o diagnóstico, é necessário consumir glúten durante a avaliação clínica e laboratorial.

A alimentação sem glúten é o único tratamento seguro e eficaz, exigindo atenção ao contato cruzado. Quando bem conservada, a mucosa intestinal costuma se reparar, melhorando a qualidade de vida e reduzindo riscos de complicações a longo prazo.

Solução saída do forno do laboratório

Pesquisas brasileiras apresentam pães sem glúten com boa aceitação e nutrição aprimorada. Ingredientes como amaranto, trigo sarraceno, quinoa e grãos regionais são usados para enriquecer fibras e reduzir o índice glicêmico.

Além disso, estudos identificam parâmetros que predizem a aceitação de pães sem glúten frescos e durante o armazenamento, ajudando pesquisadores e a indústria. Ainda não existem métodos oficiais padronizados para esse tipo de produto.

Pesquisas também investigam microbiota intestinal, metabolismo e segurança alimentar na doença celíaca, com intervenções nutricionais avaliadas em parceria com outros pesquisadores. Resultados orientam práticas seguras para o grupo.

Outro eixo envolve o Observatório de Rotulagem de Alimentos da Unifesp, que monitora o perfil nutricional dos produtos sem glúten oferecidos no Brasil. Um projeto latino-americano amplia a discussão sobre segurança em restaurantes, escolas e hospitais.

É a ciência brasileira buscando fazer a diferença para quem convive com a doença celíaca.

*Fabiana Magnabosco é nutricionista, celíaca, presidente da ACELBRA-RS e doutoranda na Unifesp; Vanessa Capriles é nutricionista, professora da Unifesp e coordenadora do CENUC.*

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