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Ebola na África Central pode ter começado meses antes da detecção, diz OMS

Surto de Ebola na África Central começou há meses; vacina experimental leva de seis a nove meses para entrar em testes, aumentando riscos aos profissionais de saúde

Uganda e República Democrática do Congo concentram os casos
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  • O surto de Ebola na África Central provavelmente começou há meses e só foi identificado em 15 de maio.
  • A cepa Bundibugyo é rara e não tem tratamento ou vacina aprovados; a vacina experimental mais promissora levará de seis a nove meses para entrar em testes clínicos.
  • Quase seiscentos casos suspeitos e cento e trinta e nove mortes foram registrados pela OMS na República Democrática do Congo e em Uganda.
  • Modelos indicam que o total de casos pode superar oitocentos, chegando a até mil no pior cenário.
  • Especialistas destacam a ausência de tratamento específico e de vacina aprovados, discutindo a prioridade de vacinas já existentes para proteger profissionais de saúde.

O surto de Ebola em África Central deve ter começado meses antes da sua detecção, segundo a OMS. A crise se concentra na República Democrática do Congo e em Uganda, com transmissão da cepa Bundibugyo. A previsão é de que leve meses até haver testes em humanos para uma vacina.

A OMS informou que a cepa Bundibugyo não possui tratamento aprovado nem vacina disponível. Uma vacina experimental prioritária pode chegar a testes clínicos em seis a nove meses, conforme avaliação da agência.

A detecção ocorreu em 15 de maio, mas a circulação anterior do vírus complicou os esforços de contenção, segundo Anaïs Legand, líder técnica da OMS para febres hemorrágicas virais. A organização monitora o avanço do surto com cautela.

Até o momento, a OMS registra quase 600 casos suspeitos e 139 mortes ligados ao surto. Tedros Adhanom Ghebreyesus ressaltou a escala e a velocidade do contágio, apontando risco de aumento dos números.

Especialistas indicam que o total de casos pode superar 800, com cenário extremo chegando a 1.000. A avaliação resulta de modelos de pesquisadores do Imperial College London em parceria com a OMS.

Um grupo consultivo técnico da OMS discutiu, nesta semana, quais vacinas devem ser priorizadas para a resposta, diante da carga de transmissão atual.

A resposta aponta que vacinas disponíveis, usadas na África Ocidental há anos, não abrangem a cepa Bundibugyo. As opções existentes concentram-se em outras variantes do vírus.

Segundo Joanne Liu, professora da McGill e ex-presidente da MSF, o retorno a condições de 2014-2016 é preocupante. Ela destacou a falta de tratamentos e vacinas específicos para a cepa em circulação.

Liu sugere que, onde for possível, profissionais de saúde recebam uma das vacinas existentes para proteger equipes de resposta diante do alto risco de transmissão.

Há indícios de que, em estudos com macacos, a vacina Merck possa oferecer certo grau de proteção, mesmo não sendo específica para Bundibugyo. A confirmação em humanos depende de mais pesquisas.

A taxa de letalidade estimada para Bundibugyo fica entre 30% e 50%, o que eleva a importância de ampliar medidas de proteção aos profissionais de saúde e à população.

As autoridades de saúde ressaltam a necessidade de vigilância ampliada, cooperação internacional e comunicação rápida para conter o surto até que vacinas específicas estejam disponíveis para testes humanos.

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