- O núcleo interno de ferro da Terra deixou de girar mais rápido que a superfície por volta de 2010, passando a acompanhar a rotação do planeta de forma mais próxima.
- O movimento é de rotação diferencial, ou seja, uma diferença muito pequena entre o núcleo e a crosta, não uma reversão absoluta.
- A confirmação veio em junho de 2024, com dados de 121 terremotos registrados entre 1991 e 2023, estudados pela Universidade do Sul da Califórnia.
- Pesquisadores sugerem que o fenômeno faz parte de um ciclo natural de aproximadamente setenta anos, com mudanças de aceleração e sincronização ao longo do tempo.
- Os efeitos na superfície seriam muito sutis, como variações de milissegundos na duração do dia e possíveis impactos indiretos no campo magnético, sem risco imediato para a vida na Terra.
O núcleo interno da Terra, uma esfera de ferro e níquel situada a mais de 5.000 km de profundidade, parece ter mudado a sua rotação relativa em relação à crosta. Ultrapassando a barreira de pesquisas, cientistas apontam desaceleração desde a década de 1970, com sincronização parcial por volta de 2009-2010. A notícia não indica perigo imediato.
Esse comportamento não significa parada total nem inversão completa. A rotação continua acompanhando o planeta, mas a diferença entre o movimento do núcleo e da superfície diminuiu a ponto de parecer ter recuado. A mudança é descrita como uma oscilação de longo prazo entre camadas internas e externas.
Em janeiro de 2023, Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim, publicaram que o núcleo já apresentava alteração no padrão de rotação, compatível com oscilações naturais de longo prazo. A análise usou registros sísmicos desde a década de 1960 para traçar o mapa interno.
Em junho de 2024, estudo da Universidade do Sul da Califórnia reforçou a conclusão com dados de 121 terremotos repetidos entre 1991 e 2023, nas Ilhas Sandwich do Sul. Os resultados indicam desaceleração a partir de 2010, marcando o primeiro registro sólido dessa mudança em cerca de 40 anos.
O estudo disponível no PMC explica que o núcleo interno passou a mover-se mais lentamente que a crosta, configurando uma rotação diferencial reduzida. O fenômeno não representa uma inversão física, mas uma variação relativa entre componentes do planeta.
Pesquisadores chineses veem o fenômeno como parte de um ciclo de aproximadamente 70 anos. Caso se confirme, a próxima mudança significativa ocorreria por volta de meados da década de 2040, segundo a hipótese de oscilação cíclica.
A relação entre o núcleo e o campo magnético terrestre é mencionada como possível efeito indireto. Pequenas variações na duração do dia, de mili segundos, e alterações graduais no campo magnético podem ocorrer, sem impacto perceptível no cotidiano.
De modo geral, a desaceleração não indica ruptura, mas evidencia o dinamismo do interior da Terra. O planeta continua ativo, com camadas profundas, magnetismo e rotação conectados em escalas difíceis de observar sem instrumentos específicos.
Entre na conversa da comunidade