- A vítima 46 do Jardim dos Fugitivos em Pompeia é provavelmente identificada como médico, graças a um conjunto de instrumentos cirúrgicos encontrados dentro do molde.
- Dentro de uma caixa retangular de material orgânico havia uma placa de ardósia (coticula) e seis pequenos artefatos metálicos, além de moedas no interior do estojo.
- As análises combinaram raio-X, tomografia computadorizada com apoio de inteligência artificial e modelagem 3D para reconstruir o conteúdo oculto no gesso.
- Embora não haja certeza absoluta, as evidências fortalecem a hipótese de que o homem exercia medicina e morreu durante a fuga, ao lado de outra vítima identificada como 47.
- O estudo destaca o papel da tecnologia moderna na arqueologia de Pompeia, permitindo revelar detalhes sem danificar os moldes originais e abrindo espaço para novos achados.
O que aconteceu: arqueólogos do Parque Arqueológico de Pompeia identificaram indícios de que uma das vítimas do Jardim dos Fugitivos, na escavação de 1961, era provavelmente médica romana. O homem foi encontrado com um conjunto de instrumentos cirúrgicos dentro de um estojo escondido no molde de gesso.
Quem está envolvido: a conclusão resulta de uma equipe multidisciplinar que envolve arqueologia, radiologia, tomografia assistida por IA e reconstrução 3D. O estudo foi registrado no relatório oficial do Scavi di Pompei, divulgado em maio.
Quando e onde ocorreu: a descoberta se baseia em análises realizadas em Pompeia, Itália, com trabalhos de restauração iniciados em 2015 no âmbito do Grande Projeto Pompeia. O Jardim dos Fugitivos foi escavado pela primeira vez em 1961.
O que foi encontrado: dentro do molde da vítima 46, próximo à vítima 47, foi localizada uma caixa retangular de material orgânico contendo moedas, uma bolsa de tecido e, no interior, uma placa de ardósia e instrumentos metálicos compatíveis com ferramentas médicas. O conjunto sugere prática clínica.
Como foi confirmado: exames de raio-X e tomografia computadorizada com suporte de IA permitiram visualizar o conteúdo sem danificar o molde, revelando uma engrenagem interna e itens metálicos de pequeno porte associados a procedimentos médicos. A placa de ardósia era usada no preparo de substâncias medicinais.
Por que isso importa: os pesquisadores destacam que, embora as evidências não sejam absolutas, o conjunto de objetos reforça a hipótese de atuação médica da vítima. O estudo enfatiza o potencial humano da descoberta e abre novas possibilidades para entender profissões entre as vítimas de Pompeia.
Identificação profissional
A equipe aponta que a presença do kit médico, aliado ao mecanismo de fechamento da caixa, sustenta a ideia de atuação clínica. Objetos semelhantes já foram encontrados em outros contextos romanos, o que reforça a leitura de ferramenta médica associada à vítima.
Impacto científico e humano
O relatório ressalta que tecnologias modernas estão revolucionando a arqueologia, permitindo reconstruções digitais de itens escondidos sem danificar o moldado original. Estudantes e pesquisadores veem nesses depósitos um “arquivo vivo” de vidas interrompidas pela erupção.
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