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Consumo de animais selvagens aumenta na África Central, aponta estudo

Aumento de consumo de carne selvagem em África Central, impulsionado pela urbanização, eleva pressão sobre a fauna e o risco de extinção

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  • O consumo de carne de caça na África Central aumentou cerca de cinquenta por cento, impulsionado pela demanda de populações urbanas em crescimento.
  • O estudo analisou dados de mais de doze mil domicílios em duzentos e cinquenta e dois locais, em seis países, entre 2000 e 2022.
  • Treze por cento dos mamíferos, aves, répteis e anfíbios da região estão atualmente em risco de extinção.
  • O consumo anual de carne de caça passou de cerca de setecentos e trinta mil para um vírgula um milhão de toneladas entre 2000 e 2022.
  • A carne de caça representa cerca de vinte por cento da proteína diária recomendada para populações rurais; o estudo sugere reduzir o consumo urbano e incentivar proteínas alternativas para sustentável uso rural.

Um estudo publicado na revista Nature aponta um aumento significativo no consumo de carne de animais silvestres na África Central. A pesquisa, liderada pela CIFOR-ICRAF, indica que a demanda cresce principalmente devido às populações urbanas em rápido crescimento.

A análise abrangeu dados de mais de 12 mil domicílios em 252 locais de Camarões, República Centro-Africana, Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial e Gabão, entre 2000 e 2022. O objetivo foi mapear padrões de consumo e pressão sobre a vida silvestre.

Os investigadores calculam que o consumo anual de carne silvestre subiu de cerca de 730 mil para 1,1 milhão de toneladas nesse período. Ao mesmo tempo, 31% de mamíferos, aves, répteis e anfíbios da região estariam em risco de extinção.

Principais resultados

Segundo o estudo, a carne de caça continua a ser uma fonte alimentar fundamental para milhões de habitantes, especialmente comunidades tradicionais. O crescimento populacional na região elevou a demanda por alimento e renda, aumentando a pressão sobre espécies selvagens.

Apesar da importância cultural e econômica, o relatório recomenda fortalecer setores de proteína alternativos, como aves, pesca e outras fontes. Também sugere criação de oportunidades de subsistência para quem vive do comércio de carne silvestre.

Implicações e próximos passos

Os autores enfatizam que reduzir a dependência de carne silvestre requer maior produção, importação e distribuição regional de opções saudáveis e aceitáveis culturalmente. A relação entre humanos e animais silvestres em áreas urbanas é relevante para políticas de saúde pública e conservação.

O estudo conta com a participação de pesquisadores vinculados à Wildlife Conservation Society e destaca a necessidade de medidas para que populações rurais mantenham o acesso a fontes alimentares sustentáveis, sem apagar tradições locais.

Contexto regional

Com a progressiva urbanização, comunidades citadas pela pesquisa passam a depender mais de mercados urbanos de carne silvestre, o que intensifica a pressão sobre espécies vulneráveis. A relação entre encarecimento de alimentos e escolhas alimentares permanece um tema de estudo e política pública.

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