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Consumo de cigarros eletrônicos cresce entre jovens, aponta estudo

PeNSE 2024 aponta que 29,6% de estudantes entre 13 e 17 já experimentaram cigarros eletrônicos, elevando dependência e impactos na saúde mental

Os e-cigarettes apresentam uma quantidade de nicotina maior do que os cigarros convencionais – Foto: snowing – magnific
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  • A PeNSE 2024 mostrou que 29,6% de estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, cuja venda, importação, fabricação e propaganda são proibidas no Brasil desde 2009 pela Anvisa.
  • Entre 2019 e 2024 houve aumento de mais de dez pontos percentuais no uso entre adolescentes, impulsionado por mensagens de segurança e pelo design atrativo dos dispositivos.
  • Os cigarros eletrônicos contêm nicotina e até 2.000 substâncias possíveis, podendo incluir metais pesados; têm alto poder de adicção e costumam ser apresentados de forma colorida, com sabores infantis e recursos tecnológicos.
  • O uso de nicotina pode aumentar riscos de depressão e ansiedade; mudanças no comportamento dos adolescentes podem sinalizar consumo, e o diálogo entre pais e filhos é recomendado para identificar o problema.
  • O tratamento envolve três pilares: saúde mental, medicamentos para reduzir a abstinência e estratégias como o Fumar Restrito; em 2026, o Reino Unido aprovou lei que restringe fortemente a venda de cigarros e de e‑cigarettes para menores e aumenta o controle de comercialização.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024 (PeNSE 2024), do IBGE, aponta que 29,6% dos estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico. Dispositivos como e-cigarettes, vaporizantes e vapes continuam a ser alvo de proibição de venda, importação e propaganda no Brasil desde 2009 pela Anvisa. O resultado representa um salto em relação a 2019, quando 16,8% haviam experimentado.

Jaqueline Scholz, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Hospital das Clínicas da USP, ressalta que o cigarro eletrônico não é novidade e representa uma “grande ilusão”. Segundo a pesquisadora, há uma falsa sensação de segurança associada a esses dispositivos, apresentados como recreativos com menos risco que o cigarro tradicional.

Propaganda enganosa

Os cigarros eletrônicos contêm níveis de nicotina maiores que o tabaco comum e podem incluir até 2.000 substâncias adicionais, como metais pesados, aumentando o poder de adicção. O design voltado a cores suaves, sabores infantis e telas sensíveis ao toque facilita a atração de jovens, segundo Jaqueline.

A indústria é acusada de promover a ideia de inofensividade. A pesquisadora cita que o produto foi desenhado para jovens, insinuando substituição do cigarro convencional. Países como a Inglaterra discutem regulações fortes, com lei de 2026 liberando restrições vitalícias à venda para nascidos após 2009.

Impactos na saúde e sinais de uso

Henrique Bombana, pós-doutorando da USP, explica que a nicotina nos vaporizadores se transforma em dopamina, gerando sensação de prazer, o que favorece a dependência. A substância pode ter impactos cardíacos e depressivos, além de efeitos adversos na saúde mental de jovens.

Jaqueline reforça que o uso de nicotina pode contribuir para ansiedade e depressão, especialmente durante a adolescência, quando o córtex pré-frontal ainda está em desenvolvimento. Mudanças comportamentais em casa podem indicar uso de cigarro eletrônico.

Como lidar e buscar tratamento

O tratamento envolve três pilares: saúde mental, medicamentos e estratégias de redução de uso. A orientação é acolhimento emocional, avaliação da dependência e, se necessário, reposição de nicotina sob acompanhamento médico.

A técnica de Fumar Restrito orienta reduzir gatilhos e criar cenários de uso controlado, favorecendo a redução gradual do consumo. Em ambientes sem estímulos, o fumante tende a observar melhor seus limites.

Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira

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