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Hipopótomos herdados da era Escobar dividem cidade na Colômbia

Governo planeja abater oitenta hipopótamos para conter a espécie invasora descendente de animais de Pablo Escobar, diante de impactos ecológicos e sociais

Hipopótamos em liberdade em um lago em Doradal, Colômbia
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  • Doradal, Colômbia: hipopótamos descendentes de Pablo Escobar somam cerca de 200 animais e ocupam o rio Magdalena.
  • Governo planeja reduzir a população com a eutanásia de oitenta hipopótamos e realocar o restante, em um plano de US$ 2 milhões.
  • Cientistas defendem o abate seletivo como forma de proteger o ecossistema; tentativas de controle não letais já foram feitas, incluindo captura e castração.
  • Hacienda Nápoles, de Escobar, virou parque turístico; a presença dos hipopótamos se espalhou para além da propriedade, aumentando a pressão sobre a região.
  • Pescadores locais relatam impactos na pesca e na vida cotidiana ao longo do rio, gerando debate e tensões sobre a gestão dos animais.

O governo da Colômbia enfrenta embate público e técnico sobre o futuro dos hipopótamos que ocupam a região de Doradal, à beira do rio Magdalena. Descendentes do narco barão Pablo Escobar, eles se multiplicaram desde os anos 1980, quando foram trazidos como animais de estimação. A comunidade local observa o avanço da espécie invasora que já afeta a pesca e a vida cotidiana.

Estima-se que haja cerca de 200 hipopótamos na região, com projeção de mais de mil até 2035 se o crescimento não for contido. Cientistas alertam para impactos no ecossistema, como deslocamento de peixes e alterações nas margens do rio, além de impactos na qualidade da água. A situação tornou-se tema de debate público e científico.

A administração pública já realizou tentativas de realocação para outros países, sem resultados expressivos. Medidas de controle passaram a incluir intervenções de manejo, como castração, que demanda logística complexa e captura noturna. O custo estimado para ações de contenção foi divulgado em plano apresentado em abril.

Plano de manejo e eutanásia

Segundo autoridades, um plano de US$ 2 milhões mira reduzir a população por meio da eutanásia de até 80 indivíduos, mantendo esforços de reposicionamento para os demais. Animais capturados com sedação devem receber uma injeção letal, enquanto outros podem ser abatidos de forma controlada no local.

A proposta também prevê ações de monitoramento e de eventual deslocamento de parte da manada para zoológicos ou unidades de reprodução em ambiente protegido. Pesquisadores ressaltam que o objetivo é proteger o ecossistema do Magdalena e evitar danos a comunidades ribeirinhas.

A cidade de Doradal ganhou notoriedade mundial pela proximidade com os hipopótamos, que se tornaram atrativo turístico. A Hacienda Nápoles, antiga propriedade de Escobar, transformou-se em parque temático de gestão privada, reforçando o interesse pela história e pelos animais.

Enquanto o debate segue, pescadores relatam mudanças em seus hábitos noturnos e na disponibilidade de peixe, com receio de prejuízos econômicos locais. Especialistas observam que qualquer decisão deverá equilibrar bem-estar animal, conservação ambiental e necessidades da população ribeirinha.

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