- A Organização das Nações Unidas alerta para aumento de ondas de calor, chuvas extremas e crises hídricas na América Latina, associando o aquecimento global ao “efeito chicote hidrológico”.
- O relatório aponta eventos extremos ocorrendo em sequência, com secas seguidas de enchentes devastadoras em diversos países, sem tempo adequado de recuperação.
- No México, houve simultaneidade de calor recorde, seca generalizada e chuvas históricas; no Equador e no Peru, enchentes atingiram mais de 100 mil pessoas neste ano.
- O Brasil ampliou o monitoramento climático e a prevenção de desastres, com meta de dobrar o número de municípios acompanhados e aumentar estações automáticas de medição de rios e enchentes.
- Além disso, o estudo estima ao menos 13 mil mortes anuais associadas ao calor extremo em 17 países latino-americanos, com impactos também sobre culturas como café, milho, cacau e feijão e sobre geração de energia hidrelétrica.
A ONU/OMM alerta para uma mudança climática acentuada na América Latina, com ondas de calor, chuvas extremas e crises hídricas cada vez mais frequentes. O relatório aponta o chamado “efeito chicote hidrológico”, que altera o regime de água e aumenta enchentes, deslizamentos e perdas agrícolas.
O documento revela que seca prolongada alterna com tempestades intensas, sem tempo suficiente para recuperação de rios e aquíferos. Países como México, Equador e Peru registraram eventos extremos consecutivos que elevam riscos sociais e econômicos.
No México, o último ciclo combinou calor recorde, estiagem e chuvas históricas, provocando enchentes em áreas distintas. As crises também atingem o abastecimento de água na Cidade do México, para mais de 20 milhões de habitantes.
No Equador e no Peru, enchentes impactaram mais de 100 mil pessoas neste ano. A ONU ressalta que a água das chuvas intensas nem sempre recupera a disponibilidade hídrica, gerando escoamento rápido e desastres secundários.
Brasil amplia monitoramento diante da nova realidade climática. O Cemaden informa expansão da rede de vigilância, com o objetivo de dobrar municípios monitorados de cerca de mil para dois mil até o fim do ano. Estações automáticas de medição também serão ampliadas.
Especialistas apontam dificuldade de prever extremos apenas pelo histórico, pois o aquecimento global altera padrões estáveis há décadas. A ONU reforça a necessidade de alertas eficientes e infraestrutura urbana mais resiliente.
O relatório estima que, em 17 países latino-americanos, ao menos 13 mil mortes anuais estejam associadas ao calor extremo, número possivelmente subestimado pela subnotificação de óbitos ligados a ondas de calor.
Temas adicionais mencionados incluem impactos sobre culturas como café, milho, cacau e feijão, além de efeitos sobre geração hidrelétrica e abastecimento urbano. O derretimento de geleiras andinas também é destacado.
A ONU aponta que cerca de 90 milhões dependem, direta ou indiretamente, da água das geleiras, principalmente Chile, Peru, Colômbia e Argentina. Ao mesmo tempo, furacões ganham força mais rápido, como o Melissa, em 2025, com ventos acima de 300 km/h e prejuízos próximos a 40% do PIB da Jamaica.
O aquecimento na América Latina tem acelerado desde as últimas décadas. Entre 1991 e 2025, a temperatura regional subiu ao ritmo mais rápido desde o início dos registros modernos, acompanhando emissões de gases de efeito estufa.
Especialistas da ONU defendem ampliar sistemas de alerta, infraestrutura resiliente e cooperação regional para enfrentar enchentes, secas e ondas de calor que devem se intensificar nas próximas décadas.
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