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Transtorno mental pode aumentar o risco de acidentes de trânsito

Estudo na República Dominicana liga sinais de TDAH a maior propensão a condutas de risco ao volante entre adultos hospitalizados após acidentes

Acidentes de trânsito: pesquisa indica que pessoas com TDAH estão mais vulneráveis a acidentes de trânsito (Thinkstock/VEJA/VEJA)
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  • Estudo realizado na República Dominicana avaliou 95 adultos hospitalizados após acidentes de trânsito e sem diagnóstico prévio de TDAH.
  • Utilizando a Escala de Autoavaliação de TDAH para Adultos, 34,7% apresentaram sinais compatíveis com o transtorno.
  • Comportamentos de alto risco ao dirigir foram 66,6% mais frequentes entre os pacientes com sinais de TDAH, incluindo ultrapassagens perigosas e distrações.
  • Os pacientes com TDAH identificados tinham, em média, entre 27,3 e 35,7 anos, e apresentavam maior frequência de carteira de habilitação válida.
  • Entre as limitações, destacam-se o pequeno tamanho da amostra, uso de autorrelato para avaliar comportamentos e a ausência de confirmação clínica do TDAH.

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode ser um fator subestimado em acidentes de trânsito. Um estudo realizado na República Dominicana analisou adultos hospitalizados após colisões e avaliou sinais do transtorno por meio de uma escala de autoavaliação.

A pesquisa, apresentada durante uma reunião da Associação Americana de Psiquiatria, incluiu 95 pacientes sem diagnóstico prévio de TDAH. Todos estavam internados em um hospital de Santo Domingo após acidentes de trânsito.

Os participantes responderam à Escala de Autoavaliação de TDAH para Adultos e preencheram um questionário sobre comportamentos de risco ao volante, com categorias que vão de violações a erros e riscos gerais.

Resultados principais

Mais de um terço dos pacientes apresentou sinais compatíveis com TDAH. 34,7% tiveram resultado positivo na triagem para o transtorno.

Comportamentos de alto risco ao dirigir foram 66,6% mais frequentes entre os pacientes com sinais de TDAH, incluindo ultrapassagens perigosas e distrações no trânsito.

Perspectivas e histórico de pesquisa

Pesquisas anteriores já sugerem relação entre TDAH e direção arriscada. Um estudo dos EUA, de 2023, associou aumento de 102% nas multas e 74% no risco de acidentes entre motoristas com TDAH, embora com população idosa.

Outra pesquisa de 2022, com simuladores, indicou menores taxas de acidentes entre indivíduos com TDAH que iniciaram tratamento medicamentoso após o diagnóstico.

Perfil dos participantes e limitações

Entre os acidentados com TDAH, a média de idade variou entre 27,3 e 35,7 anos, e havia maior frequência de carteira de habilitação válida. Limitações incluem o tamanho da amostra e o uso de autorrelato para avaliar comportamentos.

A pesquisadora Amanda Abreu, da Universidade Iberoamericana em Santo Domingo, destacou que o comportamento no trânsito pode variar conforme o contexto cultural. Ela citou casos locais em que ações consideradas impulsivas podem ter motivações diferentes.

Ainda segundo Abreu, a triagem usada não substitui uma avaliação clínica formal do diagnóstico de TDAH. A pesquisadora reforçou a necessidade de ferramentas culturalmente sensíveis para aplicação em diferentes contextos.

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