- Cientistas de universidades americanas investigaram a hiperfamiliaridade com rostos (HFF), condição rara em que pessoas veem desconhecidos como se fossem conhecidos.
- A pesquisa acompanhou Jenny Parry, portadora da HFF, que afirmou ter passado a reconhecer pessoas após uma enxaqueca, mesmo sem convivência prévia.
- Neuroimagem mostrou que o hipocampo de Parry apresentava atividade similar à de fãs de longa data da série Game of Thrones, apesar de ela nunca ter assistido à obra.
- O estudo indica que o problema não é o processamento básico de rosto, mas a comunicação exagerada entre o sistema visual e o de memória.
- Em resumo, mudanças na conexão entre percepção visual e memória podem fazer a sensação de familiaridade surgir de forma enganosa, gerando ansiedade e dificuldades sociais.
A hiperfamiliaridade com rostos (HFF) é uma condição rara em que pessoas veem rostos desconhecidos como se fossem indivíduos com quem já convivem. Pesquisadores das universidades de York e Dartmouth investigaram o fenômeno, buscando entender como ele surge no cérebro e quais alterações acompanha.
A paciente em foco vive na Inglaterra. Ela descreve que o distúrbio apareceu cerca de sete anos atrás, após uma enxaqueca. A partir de então, passou a sentir que todas as pessoas que via eram conhecidas, mesmo sem qualquer relação real com elas, o que provocava ansiedade e constrangimento.
Para entender o que acontecia, a equipe de estudo utilizou neuroimagem para monitorar a atividade cerebral da voluntária ao observar rostos. O procedimento incluiu a visualização de cenas da série Game of Thrones, a qual a paciente afirmou não ter assistido antes.
Conexões entre imagem e memória
Os pesquisadores compararam os padrões de atividade cerebral da paciente com observações de pessoas que são fãs da série e de indivíduos desconhecidos. Observou-se que a atividade no hipocampo da paciente se assemelhava à de fãs de longa data, mesmo diante de rostos novos.
Especialistas ressaltaram que o processamento básico de rosto e a visão periférica estavam preservados. O problema surge na comunicação entre o sistema visual e os circuitos de memória, que tende a amplificar sinais de familiaridade.
A conclusão do estudo aponta que a sensação de familiaridade depende de diferentes vias neurológicas, que podem sofrer alterações. Em alguns casos, distúrbios na conexão entre visão e memória geram a impressão de conhecer pessoas sem base real.
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