- Estudo publicado em maio de 2026 na revista Science explica a Falha de Gofar, no Pacífico, que gera terremotos de magnitude seis a cada cinco a seis anos.
- Pesquisadores dos Estados Unidos e Canadá mostraram que duas zonas especiais ao longo da falha agem como freios naturais, limitando a magnitude das rupturas.
- Foram realizadas expedições em 2008 e entre 2019 e 2022, com instalação de dezenas de sismógrafos no fundo do mar.
- O mecanismo central é o fortalecimento por dilatância: a água infiltra as rochas e, durante um grande tremor, a pressão dos fluidos cai, tornando o material temporariamente mais rígido.
- A descoberta sugere que barreiras semelhantes podem existir em outros oceanos, ajudando a explicar por que muitos terremotos submarinos são menores do que poderiam ser.
A Falha de Gofar, uma fratura submarina no Oceano Pacífico, abre uma sequência de tremores de magnitude 6, aproximadamente a cada cinco a seis anos. O espaço estudado fica cerca de 1.600 km a oeste da costa do Equador. O estudo revela que zonas especiais funcionam como freios naturais, limitando a magnitude dos tremores.
Uma equipe dos Estados Unidos e do Canadá conduziu as pesquisas. O principal autor é o sismólogo Jianhua Gong, da Universidade de Indiana. O trabalho foi publicado na revista Science em maio de 2026, com dados de expedições em 2008 e entre 2019 e 2022.
Expedições no fundo do mar instalaram dezenas de sismógrafos para monitorar o comportamento da falha. Os investigadores registraram dois terremotos de magnitude 6, em trechos diferentes da falha. Observam que, semanas antes do tremor principal, há intensa atividade de microterremotos, seguida de silêncio pós-evento.
Como funciona a barreira
As barreiras não são blocos rochosos, mas estruturas com múltiplos ramos de falhas. Deslocamentos laterais de 100 a 400 metros contribuem para o mecanismo. O processo de fortalecimento por dilatância permite que a água do mar infiltre as rochas, aumentando a rigidez após o tremor.
Quando o terremoto maior atinge essas zonas, a pressão dos fluidos cai e o material se torna temporariamente mais resistente ao deslizamento. Assim, a falha age como um freio dinâmico, interrompendo a propagação da ruptura antes de alcançar magnitudes maiores.
Implicações globais
A Falha de Gofar está numa região remota, com risco direto limitado para populações, mas a descoberta tem alcance mundial. Pesquisadores sugerem que barreiras semelhantes podem existir em outras áreas oceânicas. Esses sistemas ajudam a explicar por que muitos tremores submarinos são menos intensos do que a geologia permitiria.
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