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IA identifica texto de 3 mil anos feito com a escrita mais antiga do mundo

IA de Paleographicum identifica padrões caligráficos em tabuletas hititas de argila, reduzindo de dias para minutos a reconstrução de fragmentos e a datação de textos antigos

Esta tabuleta cuneiforme, com pouco mais de dez centímetros de largura, descreve um ritual cerimonial. As linhas de texto são claramente visíveis à distância. Uma observação mais atenta (à direita) revela o quão desgastada está a superfície da tabuleta. A inteligência artificial ajuda a identificar os sinais apesar disso — Foto: Daniel Schwemer/Universidade de Würzburg
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  • Cientistas na Alemanha criaram a ferramenta de IA chamada Palaeographicum para identificar padrões caligráficos em inscrições cuneiformes de tabuletas do Império Hitita.
  • O sistema já trabalha com mais de cinco milhões de caracteres preservados em cerca de setenta mil imagens de tabuletas, permitindo reconstruir fragmentos e comparar estilos de escrita.
  • A tecnologia reduz de três dias para cerca de cinco minutos o tempo necessário para comparar cinco fragmentos de tabuletas.
  • A IA identifica traços pessoais dos escribas — como pressão, pequenos floreios e espaçamento — para ajudar a datar textos e entender cronologias.
  • O projeto é continuidade de décadas de digitalização; os próximos passos incluem reconhecer automaticamente a autoria de escribas e mapear carreiras no Império Hitita.

A equipe de pesquisadores da Alemanha apresentou uma ferramenta de inteligência artificial capaz de reconhecer padrões caligráficos em inscrições cuneiformes há mais de 3 mil anos. O sistema, batizado de Palaeographicum, analisa tabuletas de argila do Império Hitita e reduz de dias para minutos o trabalho de reconstrução de fragmentos.

A tecnologia trabalha com mais de 5 milhões de caracteres preservados em cerca de 70 mil imagens de tabuletas, automatizando a análise que antes exigia paleógrafos especializados. A plataforma compara estilos de escrita para aproximar conteúdos de documentos dispersos.

O Palaeographicum utiliza fotografias digitais para identificar sinais semelhantes, isolando caracteres individuais e gerando tabelas comparativas. Segundo Daniel Schwemer, chefe do Departamento de Estudos do Antigo Oriente Próximo da Universidade de Würzburg, a ferramenta economiza milhares de horas de trabalho.

Avanços e impactos

A equipe aponta que, para cinco fragmentos, o método reduzia o tempo de três dias de trabalho para cerca de cinco minutos. Diferentes pressionamentos do estilete e pequenos floreios criam assinaturas caligráficas que a IA consegue detectar.

Os pesquisadores ressaltam que, mesmo com normas rígidas da escrita cuneiforme, variações pessoais ajudam a identificar autores. A ferramenta pode também auxiliar na datação de textos sem datação explícita, contribuindo para cronologias do mundo hitita.

Histórico e próximos passos

O projeto traz continuidade à digitalização dos estudos sobre o Hititas, que já contava com o Hethitologie-Portal Mainz e outras inovações em 3D e busca textual. A base tecnológica foi desenvolvida no projeto CuKa, entre 2018 e 2023, com financiamento da DFG.

A equipe planeja aperfeiçoar o treinamento da IA e incorporar sugestões da comunidade de hititologia. O próximo objetivo é que o sistema reconheça automaticamente a autoria de escribas, permitindo traçar carreiras e mudanças de estilo ao longo de vida.

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