- Estudo da Unifesp com 5.249 participantes (ELSI-Brasil) mostra que 83,1% dos idosos com critérios de demência não tinham diagnóstico médico prévio.
- Desigualdades marcadas: analfabetos têm 93,9% sem diagnóstico; regiões mais pobres, 90,2%; regiões mais ricas, cerca de 76%.
- Ministério da Saúde estima 2,5 milhões de brasileiros com demência; considerando a subnotificação, cerca de 2 milhões ainda não entraram na conta; até 2050, o número pode triplicar.
- Diagnóstico precoce é essencial para manejo clínico adequado, planejamento de pacientes e familiares, e controle de sintomas, mesmo sendo a demência irreversível.
- Fatores como difícil acesso ao sistema de saúde, preparo insuficiente de profissionais e visão cultural sobre envelhecimento ajudam a subnotificação.
Quatro em cada cinco idosos no Brasil convivem com demência sem diagnóstico médico formal. A conclusão vem de estudo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com 5.249 participantes do ELSI-Brasil, publicado na International Journal of Geriatric Psychiatry. A pesquisa aponta alta subnotificação da doença.
A análise mostra que 83,1% dos idosos com critérios para demência não tinham diagnóstico prévio. Os números variam por região e condição socioeconômica, revelando desigualdades estruturais no acesso ao diagnóstico.
Aproximadamente 93,9% de analfabetos e 90,2% de moradores de regiões mais pobres convivem com demência sem diagnóstico. Em regiões mais ricas, a ausência de diagnóstico chega a cerca de 76%.
O Ministério da Saúde estima atualmente 2,5 milhões de brasileiros com demência. Considerando a subnotificação identificada, estima-se que 2 milhões ainda não estão contabilizados. Projeções indicam o triplo desse contingente até 2050.
Os autores destacam a importância de diagnóstico preciso para manejo clínico adequado, planejamento de pacientes e familiares e otimização de tratamentos. A demência é irreversível, mas o diagnóstico precoce pode atenuar sintomas com tratamento farmacológico e terapias não farmacológicas.
Contexto e fatores da subnotificação
Dificuldades de acesso ao sistema de saúde e preparo insuficiente de profissionais aparecem entre os principais entraves. Os pesquisadores apontam uma visão que encara o declínio cognitivo como parte do envelhecimento, o que pode atrasar ou impedir diagnósticos.
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