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Detecção de variantes no esgoto pode prever alta de internações por Covid

Diversidade genética do Sars-CoV-2 nas redes de esgoto antecipa internações por Covid em duas semanas, superando a carga viral como preditor

Tampa de bueiro em Nova York; cientistas analisaram 12.290 sequências do coronavírus obtidas em amostras coletadas na rede de esgoto no estado americano
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  • Estudo mostra que diversidade genética do Sars-CoV-2 nas redes de esgoto antecipa incidência de Covid em 1 a 2 semanas, melhor do que a quantidade de vírus sozinha.
  • Análise de 12.290 sequências coletadas entre janeiro de 2023 e abril de 2025 em 194 locais no estado de Nova York indica que maior variedade viral se correlaciona com mais casos e internações.
  • Pesquisa publicada na revista Science no dia 14 de maio, conduzida pela Escola Maxwell de Cidadania e Assuntos Públicos de Syracuse, pela Universidade de Syracuse e pela Universidade de Albany.
  • Desafios incluem tempo de processamento e sequenciamento (até duas semanas) e custos de equipamentos de sequenciamento mais complexos que os testes PCR convencionais.
  • Os autores sugerem que a técnica pode, no futuro, alcançar outros patógenos, como influenza e vírus sincicial respiratório, servindo como um sistema de alerta precoce.

A detecção de variantes do coronavírus em redes de esgoto pode antecipar alta de internações por Covid. Novo estudo analisa a diversidade genética do Sars-CoV-2 nas captações e aponta relação com o crescimento de casos de 1 a 2 semanas depois. A pesquisa envolveu Nova York e 194 locais do estado.

Os responsáveis pelo estudo são Dustin Hill, da Escola Maxwell de Cidadania e Assuntos Públicos de Syracuse, junto a pesquisadores da Universidade de Syracuse, do Departamento de Saúde Estadual de Nova York e da Universidade de Albany. Os resultados foram publicados na revista Science em 14 de maio.

A equipe analisou 12.290 sequências de Sars-CoV-2 coletadas entre janeiro de 2023 e abril de 2025. O objetivo foi medir não apenas a quantidade de vírus, mas a diversidade genética presente nas amostras de esgoto. A variabilidade mostrou maior correlação com a transmissão real do vírus que a simples carga viral.

O que os dados revelam

Segundo os autores, a diversidade genética no esgoto acompanha o ritmo de infecções e hospitalizações ao longo do tempo. Em momentos de maior variedade, há aumento das internações, e quando a diversidade cai, as taxas de transmissão diminuem. O aumento da diversidade antecede, em uma a duas semanas, o crescimento de hospitalizações.

Além disso, a diversidade genética apresentou sinais de antecipação mais robustos do que a concentração de vírus no esgoto, tradicionalmente usada como indicador. Pesquisadores destacam que esse padrão pode funcionar como alerta precoce para medidas de saúde pública.

Limites e perspectivas

Os cientistas apontam barreiras para a implementação prática: o tempo de processamento e sequenciamento pode chegar a duas semanas, e o equipamento necessário é mais caro que o PCR convencional. Ainda assim, o estudo sugere aplicações futuras para outros patógenos, como influenza e vírus sincicial respiratório.

A pesquisa também aponta que técnicas de sequenciamento avançadas, incluindo abordagens metagenômicas, permitem observar a transmissão de formas mais amplas de vírus em comunidades. A diversidade genética pode ajudar a entender tanto a circulação quanto a efetividade de medidas de controle.

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