- Levantamentos com o DESI, no Arizona, e o telescópio Euclid devem mapear mais de cem mil vazios no espaço, ampliando o conhecimento sobre a teia cósmica.
- Vazios cósmicos são regiões relativamente pobres em matéria; o Vazio de Boötes, por exemplo, se estende por mais de trezentos milhões de anos-luz e abriga apenas algumas dezenas de galáxias.
- Por terem menos matéria, esses vazios ajudam a testar teorias de gravidade, relatividade geral e as mudanças na expansão do Universo causadas pela energia escura e pela tensão de Hubble.
- Mapas tridimensionais e simulações avançadas, desenvolvidos nos últimos anos, permitem modelar centenas de milhares de vazios, muito além do que era possível antes.
- Alguns especialistas cogitam a ideia de que nossa localização poderia estar em um supervazio; a próxima década deve consolidar evidências e abrir caminhos para novas físicas.
Nos últimos anos, telescópios e simulações avançadas expandiram o estudo dos vazios cósmicos, vastas regiões de baixa densidade de matéria. Projetos como DESI e Euclid prometem mapear mais de 100 mil vazios, oferecendo visão inédita das estruturas do universo.
Os vazios servem como laboratório para testar gravidade, energia escura e a tensão de Hubble. Especialistas defendem que, apesar de chamados vazios, essas regiões contêm galáxias de baixa massa e vias de estudo da teia cósmica.
Até a década de 1970, vazios eram pouco observáveis devido à limitação de mapas de galáxias. Hoje, mapas tridimensionais revelam contornos da teia e a presença de grandes vazios intergalácticos, como o Vazio de Boötes, com centenas de milhões de anos-luz.
Com o avanço tecnológico, a comunidade científica amplia a contagem de vácuos observáveis. Pesquisadores esperam modelar centenas de milhares de vazios, o que representa grandes avanços em compreensão da evolução cósmica.
Segundo o cosmólogo Nico Schuster, do CPPM, a última década trouxe mudança estrutural no campo, com a capacidade de observar mais galáxias e aprofundar a investigação da teia. As simulações também evoluíram, preenchendo lacunas sobre a evolução dos vazios.
O estudo de vazios facilita observar efeitos da gravidade em condições simples, longe de núcleos de galáxias. Pesquisas com traçadores como galáxias e halos de matéria escura ajudam a comparar dados com modelos cosmológicos.
Outra linha de investigação é a energia escura, componente dominante nas regiões vazias e responsável pela expansão acelerada do Universo. Em ambientes com pouca matéria, os efeitos da energia escura ficam mais evidentes.
Pesquisadores apontam que a atual safra de levantamentos deve consolidar conhecimentos, restringir teorias e testar novas físicas. A era atual da cosmologia é descrita como uma etapa de ouro para o estudo de vazios cósmicos.
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