- Painel “Saberes tradicionais e soluções climáticas” ocorreu na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES), discutindo o papel de saberes tradicionais na mitigação da crise climática e na preservação da biodiversidade.
- Povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas defendem investimento em práticas culturais e tecnologias sociais para enfrentar impactos ambientais.
- Edvando Vieira, da comunidade Fundo de Pasto Várzea Grande (BA), afirma que esses saberes já oferecem respostas às demandas locais e precisam de reconhecimento e recursos na ponta.
- O projeto Memória das Águas: Vivências Tupinikim na Aldeia Comboios mostrou ações de preservação ambiental, reforçando cuidado com lixo, reflorestamento e manguezais; aldeia tem cerca de 950 habitantes.
- A dirigente Mariana Resegue destaca a importância dos saberes tradicionais, mas alerta que falta institucionalização; sem financiamento e governança, há risco de apenas discursos sem mudanças reais.
O tema foi discutido no painel Saberes tradicionais e soluções climáticas, na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura em Aracruz, no Espírito Santo. O foco são saberes de povos tradicionais como caminho para mitigar a crise climática e preservar a biodiversidade, com apoio a políticas públicas.
Especialistas e representantes dessas comunidades defenderam investimentos para manter e disseminar essas práticas, reconhecidas como tecnologias sociais e ambientais. O objetivo é garantir que os conhecimentos sejam reconhecidos e cheguem aos territórios para fortalecer a gestão ambiental local.
Edvando Vieira, da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Várzea Grande, em Oliveira dos Brejinhos, Bahia, apontou que esses saberes já respondem às demandas dos territórios. O MinC foi citado por ampliar a incorporação de conhecimentos ancestrais às ações climáticas.
Saberes da Aldeia Comboios
Durante a Teia, o Projeto Memória das Águas: Vivências Tupinikim na Aldeia Comboios mostrou ações de preservação ambiental e de vida comunitária, com base nos saberes locais. Cerca de 950 moradores vivem na península de 24 quilômetros onde fica a aldeia.
Hudson Coutinho, vice-presidente da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios, destacou lidar com lixo, reflorestamento e manguezal. Os temas refletem ensinamentos de antepassados sobre cuidado com o meio ambiente e relação sustentável com ele.
A Aldeia Comboios sofreu impactos do rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015, com efeitos ainda presentes. Coutinho relatou prejuízos na pesca, na coleta de mariscos e em plantações no território.
O cacique Jocinaldo Coutinho afirmou que abrir portas da aldeia faz parte da reinvenção de práticas tradicionais, sem abrir mão das raízes culturais. Ação visa conscientização e fortalecimento da identidade do povo Tupinikim.
Mariana Resegue, diretora executiva da organização C de Cultura, ressaltou a importância dos saberes tradicionais nos territórios, mas observou que ainda há fragilidade institucional. Sem financiamento e governança, há risco de apenas discurso sem transformação.
A reportagem foi realizada a convite do Ministério da Cultura.
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