- Entre mães docentes, 66,1% foram descredenciadas por queda na produtividade, ante 37,5% entre pais.
- O movimento Parents in Science, criado em 2016, busca debater parentalidade na carreira científica e ampliar dados sobre mães na ciência.
- Atlas da Permanência Materna mostra que a principal medida é assistência financeira (presente em 63 das 69 federais), mas há pouca cobertura na pós-graduação e poucas cuidotecas.
- Iniciativas nacionais incluem edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (Faperj) para mães e o programa Aurora da Capes, com até 300 bolsas para docentes gestantes ou mães.
- Há avanços legais, como leis que estendem prazo de conclusão de cursos em casos de gestação de risco e evitam discriminação por maternidade em seleção de bolsas, fortalecendo a permanência de mães na ciência.
Pesquisas nacionais indicam que mães docentes enfrentam maiores obstáculos para permanecer na ciência. Estudo recente mostra que 66,1% das mães descredenciadas de programas de pós-graduação o fizeram por queda de produtividade, ante 37,5% entre pais.
A análise, realizada com quase 1.000 docentes, revela ainda que 38% das mães que perderam a produtividade não retornaram ao convívio acadêmico, enquanto 25% dos pais nessa situação voltaram a atuar. A diferença persiste também entre saídas a pedido.
O levantamento integra o trabalho do movimento Parents in Science, criado em 2016 pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, da UFRGS, para debater parentalidade entre pesquisadores e buscar soluções concretas.
Uma das frentes em discussão é a escassez de dados oficiais sobre mães pesquisadoras. O Atlas da Permanência Materna, publicado recentemente, aponta déficit de informações e avalia políticas de permanência em universidades federais.
Em termos de políticas públicas, o Atlas aponta que a maior parte das instituições oferece assistência financeira, com média de cerca de R$ 370 mensais, mas poucas estendem benefícios à pós-graduação. Apenas 8 universidades contam com cuidotecas.
Iniciativas nacionais visam manter a produção científica durante a maternidade. O programa Aurora, da Capes, prevê até 300 bolsas para que professoras gestantes recebam um assistente de pós-doutorado durante licenças, mantendo projetos ativos.
No Rio de Janeiro, a Fundação de Amparo à Pesquisa criou editais voltados para mães, em parceria com o Parents in Science e o Instituto Serrapilheira. Em 2024, 134 mães foram contempladas; nova edição está prevista para o próximo ano.
Além disso, leis recentes ampliam proteção a estudantes e pesquisadoras. Em 2024, a licença para gestação de risco teve prazo ampliado, e, em 2025, foi proibida a discriminação por maternidade em processos de seleção e renovação de bolsas.
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