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Temperatura em São Paulo aumentou 2,8 °C em 125 anos, aponta estudo

Ilhas de calor elevam temperaturas em São Paulo, com máximas de até 60 °C no verão e alta histórica de 2,8 °C na temperatura mínima em 125 anos

Áreas urbanizadas mais críticas da Grande São Paulo atinge até 60 °C
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  • Em cento e vinte e cinco anos, a temperatura máxima diária em São Paulo subiu 2,4 °C e a mínima diária avançou 2,8 °C, segundo dados citados pelo IPCC.
  • Ilhas de calor em áreas urbanizadas da Grande São Paulo podem atingir até 60 °C no verão; áreas com mais vegetação chegam a 25 °C.
  • Em 70 cidades do estado, o estudo aponta que as zonas mais quentes da região metropolitana sofrem, em média, entre 7 °C e 12 °C de diferença em relação às áreas frias no verão.
  • Ondas de calor registradas nas tardes, entre 30 °C e 34 °C, e noites em torno de 28 °C, têm impacto na residência e no sono.
  • Soluções baseadas na natureza, como revegetação urbana, podem proporcionar resfriamento local de até 7 °C; o trabalho é realizado com apoio da Fapesp e da Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (NWO).

As temperaturas em São Paulo seguem aquecendo acima da média global. Dados históricos indicam que a máxima diária na cidade subiu 2,4 °C ao longo de 125 anos, enquanto a temperatura mínima aumentou 2,8 °C. As medições referem-se a 1900 até hoje, com registro típico da mínima por volta das 6h e da máxima por volta das 13h.

O estudo é apresentado por Humberto Ribeiro da Rocha, pesquisador do IAG-USP, em palestra sobre eventos extremos de calor e água, promovida pela Fapesp e pela NWO em 7 de maio de 2026. Os pesquisadores analisam a relação entre ilhas de calor urbanas e a cobertura vegetal em 70 cidades do estado.

Ilha de calor e cobertura vegetal

A investigação utiliza dados de temperatura de superfície obtidos por satélites Landsat entre 2013 e 2025. Verifica que áreas urbanizadas da Grande São Paulo atingem até 60 °C no verão, em contraste com áreas mais frias, onde chegam a 25 °C.

Nas zonas mais quentes, a diferença média em relação às áreas frias varia entre 7 °C e 12 °C durante o verão. A presença de vegetação e corpos d’água funciona como fator de resfriamento regional.

Em relação à distribuição das ilhas de calor, Rocha aponta concentração no nordeste do estado, onde há cultivo de cana-de-açúcar, mas o fenômeno aparece também em cidades da região metropolitana, com maior densidade populacional.

Efeitos locais e ondas de calor

O projeto também mede temperaturas no nível da rua e dentro de residências, com 25 estações que registram dados ao longo das últimas décadas. O levantamento indica tardes com 30 °C a 34 °C e noites próximas de 28 °C na região metropolitana.

Essa condição reduz o descanso noturno, sobretudo quando as edificações não isolam adequadamente o calor externo, mantendo ambientes internos aquecidos por mais tempo.

Soluções baseadas na natureza

Os pesquisadores avaliam o efeito de sombreado por vegetação na redução local de temperatura, com até 7 °C de diminuição em áreas tratadas com revegetação urbana. Os resultados reforçam a viabilidade de soluções naturais para mitigar eventos de calor extremo.

Cooperação internacional e perspectivas

A parceria entre Fapesp e a NWO permanece fortalecida, com cinco projetos previstos para os próximos cinco anos. As instituições destacam a importância de cooperação para ampliar resultados, publicações e soluções aplicáveis no Brasil e nos Países Baixos.

Especialistas ressaltam a necessidade de preparar as cidades para cenários que podem ultrapassar o aquecimento de 1,5 °C ainda neste século. Um relatório especial do IPCC sobre cidades está previsto para 2027, com foco no tema.

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