- Estudo britânico com ≈289.399 bebês mostrou que a vacinação de gestantes contra o VSR reduz o risco de internação de recém-nascidos em 81,3% quando realizada pelo menos quatorze dias antes do parto.
- A eficácia aumenta conforme o intervalo, chegando perto de 85% se a vacinação ocorrer quatro semanas antes do parto.
- Mesmo quando a vacinação ocorre entre dez e catorze dias antes do nascimento, houve cerca de 50% menos internações.
- No Brasil, o SUS passou a oferecer a vacina para gestantes desde novembro de 2025, a partir da 28ª semana gestacional.
- Nos Estados Unidos, a combinação entre vacinação materna e o anticorpo niservimabe reduziu internações em até 41% a 51% em crianças de até 11 meses, segundo estudo de Jama Pediatrics.
A vacinação de gestantes para o vírus sincicial respiratório (VSR) reduz o risco de internação de recém-nascidos em mais de 80%, segundo o maior estudo já feito sobre o tema. A pesquisa britânica avaliou bebês cujas mães foram vacinadas pelo menos 14 dias antes do parto.
A análise, apresentada no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas 2026, envolveu 289.399 nascimento na Inglaterra entre setembro de 2024 e março de 2025, correspondentes a cerca de 90% dos nascidos no período.
No total, 4.594 internações associadas ao VSR ocorreram. Bebês de mães não vacinadas representaram 55% da amostra e 87,2% das internações, enquanto filhos de mães vacinadas tiveram risco significativamente menor de hospitalização.
A eficácia estimada foi de 81,3% para o grupo vacinado, com melhora conforme o intervalo entre vacinação e nascimento aumentava. Em registros de quatro semanas antes do parto, a proteção beira 85%.
Mesmo com vacinação tardia, a proteção já se mostra relevante: bebês nascidos entre 10 e 13 dias após a vacinação tiveram metade das internações em comparação aos não imunizados.
No Brasil, o SUS passou a oferecer a vacina para gestantes desde novembro de 2025, a partir da 28ª semana de gestação. O imunizante é feito com proteína do VSR, sem vírus vivo ou atenuado, e pode ser administrado em unidades básicas de saúde.
O objetivo é proteger o bebê ainda no útero, com anticorpos transferidos pela placenta. Médicos destacam a segurança da vacina, sem risco de infecção para a gestante nem parto prematuro.
Especialistas reforçam que a vacinação de gestantes, aliada à amamentação e à imunização de recém-nascidos, pode reduzir internações e complicações por VSR, junto com outras estratégias nacionais.
Além da vacinação, estudo norte-americano recente avaliou o uso do niservimabe, um anticorpo monoclonal, em bebês. A combinação reduziu hospitalizações em cerca de metade na temporada 2024-2025.
No estudo, a vacinação materna sozinha teve eficácia de 70% para bebês com menos de 6 meses contra hospitalizações por VSR. O niservimabe mostrou 81% de proteção. A proteção permanece por meses.
A pesquisa apontou queda de 41% a 51% nas hospitalizações em crianças até 11 meses quando as duas estratégias foram usadas, em comparação com temporadas anteriores. O Brasil também utiliza o niservimabe no SUS para casos específicos.
Especialistas brasileiros destacam que a combinação de vacina materna e niservimabe deve ter impacto relevante na prevenção de casos novos, internações e mortes por VSR.
Entre na conversa da comunidade