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Vitivinicultura brasileira vira laboratório a céu aberto

Pesquisa e enoturismo impulsionam expansão da vitivinicultura brasileira, com novas variedades, retorno de uvas italianas e renovação de experiências enoturísticas

Vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul
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  • A vitivinicultura brasileira está em expansão além dos vinhedos, com foco em novas variedades, pesquisas de adaptação e experiências de enoturismo.
  • Na Miolo Wine Group, no Vale dos Vinhedos (RS), há mais de 40 variedades de uvas em implantação, em área superior a mil hectares distribuídos em quatro terroirs.
  • Experimenta-se retorno de castas portuguesas e, mais recentemente, de variedades italianas como Sangiovese, Nebbiolo, Barbera e moscatos; algumas já apresentam bom desenvolvimento agronômico, ainda em fases de estudo.
  • O setor de enoturismo também avança: a Cave Giuseppe foi criada, um novo tour foi implementado e houve reforma do enoturismo, com cinco roteiros diferentes já disponíveis.
  • O turismo do vinho ganha importância ao lado do vinho, buscando renovar a relação entre história, origem e identidade, com foco em oferecer novidades e experiências aos visitantes.

O setor vitivinícola brasileiro segue em expansão, indo além dos vinhedos. Pesquisas de adaptação, novas variedades e investimentos em experiências enoturísticas ajudam a ampliar o potencial da produção. O movimento busca atender a demanda do consumidor por novidades sem abrir mão da qualidade.

O Mundo Agro visitou a vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS). Hoje o grupo planta mais de 40 variedades em uma área superior a mil hectares, distribuídos em quatro terroirs distintos. A casa destaca a constante busca por diversidade vegetal.

Para Adriano Miolo, enólogo e diretor-superintendente da Miolo Wine Group, o objetivo é ampliar a relação entre qualidade e adaptação ao terroir. Variedades pouco exploradas vêm sendo reavaliadas e testadas em novas regiões do país.

Pesquisa e variedades

Entre as novidades, castas portuguesas vêm recebendo atenção por adaptabilidade, enquanto outras estão em fase de avaliação em diferentes terroirs. Alguns avanços já aparecem em áreas como o Vale do São Francisco, com resultados promissores.

O retorno de variedades italianas também ganha força. Sangiovese, Nebbiolo, Barbera e moscatos integram os projetos de pesquisa em andamento. Os primeiros resultados agronômicos têm mostrado potencial, ainda em estágio de estudo.

Sangiovese e Nebbiolo apresentam bom desempenho agronômico, segundo a vitivinicultura de Miolo, mas as plantas ainda estão em fase de avaliação para definição de safras comerciais. A variedade italiana volta a despertar interesse no mercado brasileiro.

Enoturismo

O turismo do vinho na região também passa por renovação. A Vinícola criou a Cave Giuseppe, inaugurou um novo roteiro e reformou o conjunto de experiências, após mais de um ano de obras. As mudanças visam revitalizar a visitação.

Hoje existem cinco roteiros disponíveis, frente aos dois que existiam há vinte anos. A aposta é oferecer mais oportunidades de aproximação entre público e história da vitivinicultura local.

Embora o vinho continue como elemento central, a experiência enoturística passa a ter papel decisivo na dinâmica do setor. A busca por novidades do consumidor sustenta a evolução tanto das vinhas quanto das visitas técnicas e culturais.

O projeto da Miolo envolve testes de variedades, pesquisa agronômica e expansão de roteiros, com foco na qualidade e na identidade regional. A reportagem do Mundo Agro acompanhou as atividades durante a visita, que encerrou com um convivio no Wine Garden.

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