- Estudo com Porites lutea indica que o aquecimento dos oceanos pode comprometer o funcionamento dos cílios que transportam oxigênio pelo coral.
- Em 11 horas de experimento, a temperatura subiu de 27°C para quase 40°C, e a frequência dos cílios foi aumentando até perder sincronia.
- O calor eleva o metabolismo do coral, aumentando o consumo de oxigênio e reduzindo a concentração de oxigênio dissolvido na água ao redor.
- A partir de 37°C, os cílios passam a bater mais devagar e perdem a coordenação; aos 40°C, o coral morre.
- Os pesquisadores recomendam mais estudos em outras espécies e destacam a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa para diminuir o aquecimento dos mares.
O calor excessivo dos oceanos pode interromper o sistema de difusão de oxigênio nos corais, segundo estudo publicado na Science Advances. Pesquisadores internacionais mostraram que, sob ondas de calor, os corais passam por uma falha no transporte de oxigênio e podem morrer rapidamente.
A pesquisa foca no coral Porites lutea, presente no Índico e Pacífico. Os cientistas cultivaram uma colônia em laboratório e submeteram o organismo a temperaturas de 27°C a quase 40°C, simulando aquecimento global.
Os cílios que agitam a água em torno do coral elevam a atividade com o aumento da temperatura, em especial até 35°C, o que aumenta o consumo de oxigênio do animal. Mesmo assim, o oxigênio dissolvido ao redor começa a se esgotar.
Resultados e Implicações
A partir de 37°C, os cílios perdem a sincronização e reduzem a frequência de batimento, comprometendo o fluxo de água e a entrega de oxigênio. Por volta de 40°C, o coral morre no experimento.
Os testes foram realizados em condições sem iluminação para simular o ambiente noturno, favorecendo apenas o oxigênio dissolvido na água. Especialistas destacam que o cenário diurno pode trazer riscos adicionais.
Especialistas ressaltam a necessidade de novas pesquisas com outras espécies de coral para confirmar se a pane dos cílios contribui para a mortalidade. Enquanto isso, reduzir emissões de gases de efeito estufa continua essencial para limitar o aquecimento oceânico.
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