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Cosmonauta soviético abandonado no espaço durante o colapso da URSS

No 35º aniversário da missão, Krikalev permaneceu na Mir além do previsto, tornando-se o último cidadão soviético após a dissolução da URSS

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  • Em 18 de maio de 1991, Sergei Krikalev partiu na Soyuz TM-12 rumo à estação Mir, acompanhado por Helen Sharman e Anatoly Artsebarsky.
  • Enquanto a missão seguia, a União Soviética começou a desintegrar, levando Krikalev a ficar no espaço por muito mais tempo do que o planejado.
  • Sem substituto definido, Krikalev permaneceu na Mir durante a dissolução e passou a compartilhar a nave com Alexander Volkov.
  • Ao todo, ele passou 312 dias no espaço, orbitando a Terra cerca de 5 mil vezes, e retornou à Terra em 25 de março de 1992.
  • Anos depois, Krikalev integrou a primeira tripulação a viajar para a Estação Espacial Internacional em 2000 e, hoje, atua como diretor de missões tripuladas da Roscosmos; a Mir foi aposentada em 1992.

Sergei Krikalev ficou praticamente preso entre dois mundos. Em 18 de maio de 1991, partiu da base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da Soyuz TM-12 para uma missão de cinco meses na estação Mir. A bordo o acompanhavam Helen Sharman e Anatoly Artsebarsky. A ideia era cumprir reparos e melhorias na Mir enquanto o progresso da União Soviética caminhava para a dissolução.

Naqueles meses, a Mir orbita o planeta, enquanto a política terrestre entrava em colapso. O país vivia a crise que derrubaria o bloco soviético. A missão seguia seu curso, mas Krikalev acabou ficando sem previsão de retorno. A desintegração da URSS tornou-se uma realidade ainda maior do que qualquer plano na Terra poderia prever.

Contexto: a missão e o colapso

A troca de pessoal prevista para outubro de 1991 ocorreu, mas o cenário político mudou tudo. Um golpe parcial em agosto de 1991 deixou o governo instável e criou incerteza sobre o retorno de Krikalev. O cosmonauta acabou convidado a permanecer na Mir até novo aviso.

Conforme a situação se agravava em terra, o governo soviético não tinha um substituto para Krikalev. O plano original era que Artsebarsky fosse substituído por outro cosmonauta, com Krikalev retornando logo depois. A decisão foi manter Krikalev a bordo, agora com novo companheiro, Alexander Volkov.

Krikalev descreveu, em relatos da época, que não entendia o que acontecia na Terra. A falta de informações o colocava em um limbo orbital, sob efeitos físicos e psicológicos ainda não plenamente compreendidos.

Estima-se que Krikalev tenha passado mais de 10 meses no espaço, muito além do previsto, e tenha visto a Terra de longe por milhares de órbitas. O episódio ficou conhecido como o título de “o último cidadão soviético”.

O retorno e o legado

Exatamente no dia 25 de março de 1992, três meses após a dissolução formal da URSS, Krikalev e Volkov retornaram à Terra. O cosmonauta somou 312 dias no espaço, circulando o planeta cerca de 5 mil vezes. Ao retornar, Krikalev precisava de apoio para ficar de pé, mas deixou a missão com a promessa de continuar contribuindo para a exploração espacial.

Krikalev continuou a carreira na Roscosmos e participou da primeira tripulação a viajar à Estação Espacial Internacional (ISS) em 2000. Em 2001, a Mir foi aposentada após 15 anos de operação. A história de Krikalev permanece como marco da cooperação internacional na exploração espacial.

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