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Escrita à mão pode indicar declínio cognitivo em idosos, diz estudo

Estudo em Portugal liga mudanças na escrita à mão, principalmente em ditados, a sinais precoces de declínio cognitivo em idosos acima de 60 anos

Na pesquisa, os participantes precisaram fazer dois tipos de tarefas que envolviam controle e velocidade da escrita
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  • Estudo realizado em Portugal acompanhou 58 idosos entre 62 e 90 anos, 38 com comprometimento cognitivo, publicado em 19 de maio na revista Frontiers in Human Neuroscience.
  • Os participantes usaram caneta digital em tablet para tarefas simples de traço e exercícios de escrita ditada ou copiada.
  • Em tarefas simples, não houve diferença clara entre idosos saudáveis e com declínio; já nos ditados houve diferenças evidentes entre os grupos.
  • Fatores associados ao comprometimento cognitivo incluíram tempo para iniciar a escrita, quantidade de traços, tamanho vertical das letras e duração da escrita.
  • Os pesquisadores defendem que a análise digital da escrita pode, no futuro, apoiar o monitoramento da saúde cognitiva em clínica, mas o estudo é inicial e com amostra pequena.

Em Portugal, pesquisadores analisaram a escrita à mão de idosos para detectar sinais de declínio cognitivo. O estudo avaliou 58 pessoas com idade entre 62 e 90 anos, moradoras de casas de repouso, com 38 já diagnosticadas com comprometimento cognitivo. As tarefas incluíram traçar, copiar e ditar usando uma caneta digital em tablet.

Segundo os autores, escrever envolve memória de trabalho, percepção sensorial, linguagem e planejamento de movimentos. Mudanças nesses componentes podem indicar alterações cerebrais precoces, especialmente em atividades que exigem maior esforço mental.

Os testes mais simples não mostraram diferença clara entre grupos. Já nos ditados, surgiram diferenças significativas, porque a tarefa exige ouvir, processar linguagem, transformar sons em palavras escritas e coordenar os movimentos.

Metodologia e principais achados

Participantes realizaram ditados, cópias de cartões e exercícios de traço com tempo controlado. Aspectos como tempo de início da escrita e tamanho das letras foram observados como indicadores de comprometimento.

Pesquisadores destacam que a escrita reflete planos do cérebro, memória de trabalho e controle executivo. Declínios nesses sistemas tornam a escrita mais lenta, fragmentada e menos coordenada.

A equipe acredita que a análise digital da escrita pode servir como ferramenta prática na monitorização da saúde cognitiva em clínicas. O método é não invasivo, de baixo custo e integrável à rotina de atendimento.

Embora promissores, os autores ressaltam que o estudo tem limitações. O grupo é pequeno e não houve avaliação de medicamentos que possam influenciar os resultados. Pesquisas futuras devem confirmar os achados em amostras maiores.

O objetivo a longo prazo é desenvolver ferramenta simples, rápida e acessível para uso no cuidado diário, sem exigir equipamentos especializados.

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