- Pesquisadores da Universidade de Waterloo identificaram três marujos do HMS Erebus por meio de DNA, ligando-os a descendentes vivos em sete países.
- O Erebus, junto com o HMS Terror, procurava a passagem Noroeste quando ficou preso no gelo em 1846, causando centenas de mortos, com sinais anteriores de canibalismo em alguns corpos.
- As identizações permitem contato com 130 famílias de sete países e ajudam a reconstruir parte da história dos tripulantes.
- Artefatos recuperados do naufrágio, como uma tigela, um par de botas e fivelas, serão expostos pela primeira vez no Pembroke Dock Heritage Centre, com condições de conservação especiais.
- A mostra “HMS Erebus: From Dockyard to Discovery” fica em cartaz de 8 de junho até o fim de outubro, em Pembroke Dock, exatamente 200 anos após o lançamento da embarcação.
As ossadas de marinheiros que morreram durante uma expedição ártica malfadada foram identificadas por meio de testes de DNA realizados por pesquisadores da University of Waterloo, no Canadá. Três tripulantes a mais foram ligados a parentes vivos com base na comparação genética, em conjunto com reconstruções faciais de um dos jovens tripulantes.
O HMS Erebus, construído em 1826 em Pembroke Dock, tornou-se símbolo de uma das mais célebres buscas do século 19, liderada pelo capitão Sir John Franklin. A expedição, acompanhada pelo HMS Terror, visava encontrar o Northwest Passage, a rota navegável entre Atlântico e Pacífico pelas águas árticas. Em 1846, as duas embarcações ficaram presas no gelo; 24 morreram nas primeiras etapas, e 105 sobreviventes tentaram atravessar o mar congelado puxando trenós sob -20 °C. O destino exato do Erebus só foi revelado em 2014, com o naufrágio encontrado no norte do Canadá.
A pesquisa recente associou DNA de fósseis a familiares vivos em sete países, com contatos já estabelecidos com 130 famílias. Além das novas identificações, foram localizados artefatos de uso diário da embarcação, incluindo uma tigela, uma bota de oficial e uma fivela de cinto. Esses itens vão compor a exposição no Pembroke Dock Heritage Centre.
Novas identidades
Entre os tripulantes identificados estão o Marujo Able Seaman William Orren, o Cabin Boy David Young e o Stevard John Bridgens. Também foi reconhecido Harry Peglar, capitão da HMS Terror, embora não haja evidência de canibalismo nos restos dele. As famílias dos descendentes modernos passaram a participar do projeto ao longo de seis países, fortalecendo o vínculo entre passado e presente.
Exposição e legado
A mostra inclui reconstruções faciais de David Young, associadas ao material genético, oferecendo um retrato humano dos tripulantes. A curadoria ressalta que o encontro entre ciência forense e genealogia aproxima o público da história da expedição. A partir de 8 de junho, o HMS Erebus: From Dockyard to Discovery ficará em cartaz no Pembroke Dock Heritage Centre, permanecendo até o final de outubro.
Contexto histórico
O Erebus foi construído pela Marinha Real como bombardeiro, com estrutura reforçada para suportar choques de fogo. Embora discreto, o navio tinha grande poder e foi utilizado em várias expedições científicas na Antártida entre 1841 e 1843, antes de seu trágico fim no Ártico. A mostra enfatiza o laço entre a memória local de Pembroke Dock e a investigação histórica que continua a revelar novos elementos do caso.
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