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Meteorito forma cratera de 21 km no Piauí, 2ª maior da América do Sul

Cratera de 21 km no Piauí é a segunda maior da América do Sul, comprovada por marcas em grãos de quartzo em estudo da Unicamp e UFBA

Cratera de 21 quilômetros de diâmetro no meio da Caatinga, no município de São Miguel do Tapuio, no norte do Piauí
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  • Cratera de 21 quilômetros de diâmetro localizada em São Miguel do Tapuio, no norte do Piauí, é a segunda maior da América do Sul e a 37ª do mundo, resultado de um impacto meteorítico.
  • A confirmação veio após décadas de pesquisa: marcas microscópicas em grãos de quartzo indicam deformações provocadas pela pressão do choque durante o impacto.
  • Amostras coletadas no local foram enviadas para análise em Viena; estudo da The Meteoritical Society aponta as evidências como prova do evento.
  • A cratera foi formada por um meteoro de cerca de 2,2 quilômetros de diâmetro, que atingiu a Terra a aproximadamente 60 mil quilômetros por hora; a idade estimada fica entre 159 milhões e 267 milhões de anos.
  • Pesquisadores pretendem retornar à área para chegar ao centro da depressão e ampliar o conhecimento sobre a evolução da superfície terrestre e a possibilidade de eventos catastróficos futuros.

O estudo confirmou a origem meteórica de uma cratera de 21 quilômetros de diâmetro em São Miguel do Tapuio, no norte do Piauí. O impacto ocorreu na região da Caatinga, elevando o Piauí a destaque global entre crateras de impacto.

Cientistas brasileiros associaram a formação à presença de cicatrizes microscópicas em grãos de quartzo, evidência direta das pressões extremas provocadas pelo choque. A região abriga a segunda maior cratera da América do Sul e a 37ª do mundo.

A pesquisa envolveu o professor emérito da Unicamp Alvaro Crósta e o grupo da UFBA liderado por Marcos Vasconcelos. Após décadas de tentativas, a expedição de 2017 aproximou-se do centro da cratera, onde coletou amostras de arenito para análise.

Metodologia e resultados

Entre 50 amostras, as duas últimas, próximas ao centro, apresentaram deformações por choque em grãos de quartzo, marca registrada de altas pressões. Os resultados indicam que apenas processos geológicos extremos poderiam gerar tais evidências.

As amostras foram transformadas em lâminas para estudo em Viena, na Áustria, onde a confirmação foi obtida. O estudo foi publicado pela The Meteoritical Society e será apresentado em agosto, no congresso da entidade, em Frankfurt.

O meteoro tinha cerca de 2,2 quilômetros de diâmetro e velocidades estimadas em 60 mil quilômetros por hora, o que explica a pulverização e sublimação de parte do material. A datação sugere idade entre 159 e 267 milhões de anos.

Contexto e próximos passos

Apesar da erosão, a forma circular com anéis internos e centro elevado continua perceptível entre as estruturas remanescentes. Crósta ressalta que o Brasil tem agora mais uma peça para compreender a evolução da superfície terrestre.

A cratera piaú foi a nona a ser confirmada no país, com participação de Crósta. A maior da América do Sul é o Domo do Araguainha, entre Mato Grosso e Goiás, com cerca de 40 quilômetros de diâmetro.

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