- A British Medical Association revisou parte de sua posição sobre o Relatório Cass, reconhecendo fundamentos da revisão conduzida pela pediatra Hilary Cass no Reino Unido.
- Em 2024, a BMA havia classificado as recomendações como infundadas, mas agora publicou uma avaliação interna que aponta avanços na abordagem de Cass.
- O professor David Strain afirmou que Cass “foi justificada” na forma de tratar os dados, e que a área envolve incertezas relevantes.
- A BMA mantém neutralidade sobre proibição total dos bloqueadores da puberdade, argumentando que decisão política excessiva pode ferir a autonomia clínica, mesmo reconhecendo danos potenciais.
- O Relatório Cass contribuiu para o encerramento da Tavistock, destacando maior complexidade em adolescentes, com aumentos de TEA, TDAH, depressão, ansiedade e transtornos alimentares entre pacientes atendidos.
- Dados oficiais indicaram 382 crianças encaminhadas ao serviço entre 2010 e o fechamento, com cerca de 70 entre 3 e 4 anos.
A British Medical Association (BMA) revisou sua posição sobre o Relatório Cass, que avaliou o uso de bloqueadores da puberdade em crianças e adolescentes no Reino Unido. A mudança ocorre após a entidade ter sido crítica às conclusões do estudo em 2024 e, agora, reconhecer fundamentos da revisão conduzida pela pediatra Hilary Cass. A notícia foi divulgada por meio de um artigo intitulado Cass Review: Evidence, Interpretation and Implementation.
A BMA afirma que a avaliação interna sustenta parte das evidências apresentadas pela revisão Cass. O professor David Strain, coautor do documento, diz que a médica foi adequada na forma de tratar os dados, segundo o portal Christian Daily. A BMA ainda não foi capaz de indicar quais das 32 recomendações permanecem contestadas.
Em julho de 2024, a BMA classificou as recomendações do relatório Cass como infundadas e pediu uma revisão pública, defendendo, na época, o fim da proibição dos bloqueadores da puberdade. A mudança de tom gerou resistência entre membros da própria associação, que depois criou um grupo interno para nova avaliação e manteve postura neutra sobre o tema.
Contexto e desdobramentos
Trevor Stammers, conforme artigo da Christian Medical Fellowship, afirma que o novo documento reconhece que as evidências a favor da supressão da puberdade e do uso de hormônios de afirmação de gênero em jovens permanecem limitadas e incertas. Ele aponta que a BMA abriu espaço para críticas anteriores às descobertas de Cass serem, em grande parte, corroboradas.
A BMA não defende uma proibição legal total dos tratamentos. O grupo de análise considera que uma proibição absoluta pelo governo britânico pode representar excesso de poder político sobre a autonomia clínica, ainda que reconheça danos potenciais conhecidos dos bloqueadores.
O Relatório Cass foi produzido para o NHS England, liderado por Hilary Cass, e esteve ligado ao Tavistock and Portman NHS Foundation Trust em Londres. O estudo levou ao fechamento da clínica Tavistock, após avaliações de que o modelo de atendimento não tinha base sólida.
A revisão descreve que profissionais de saúde em vários países passaram a observar adolescentes com quadros mais complexos, com maior necessidade de acompanhamento psicológico. Houve registro de aumento de diagnósticos de TEA e TDAH entre jovens encaminhados ao serviço e de depressão, ansiedade e transtornos alimentares entre pacientes da clínica de gênero.
Cass documentou ainda que é amplamente aceito que a exposição à sexualidade ocorre em idade mais jovem, e que os impactos sobre compreensão de sexualidade e identidade de gênero precisam de mais estudos. As críticas externas à Revisão Cass vinham de ativistas e de parte da comunidade acadêmica.
Dados oficiais indicaram que 382 crianças com até 6 anos foram encaminhadas ao serviço entre 2010 e o encerramento das atividades, com cerca de 70 crianças entre 3 e 4 anos.
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