- Estudo publicado no fim de 2025 no International Journal of Women’s Health Care avaliou sofrimento emocional pós-aborto em mulheres de 41 a 45 anos nos Estados Unidos, com 226 participantes na amostra analítica.
- Dentre as pesquisadas, 44,8% relataram algum sofrimento emocional relacionado ao aborto, sendo 20,7% de nível moderado e 24,1% de nível alto; 31,2% mencionaram sentimentos de perda, luto ou tristeza; 24,6% tiveram pensamentos, sonhos ou flashbacks frequentes.
- A pesquisa aponta que o sofrimento não diminuiu com o tempo; ao contrário, persiste por décadas, com histórico analisado nos últimos vinte anos.
- Em 2022, estimou-se que 14 milhões de mulheres nos EUA sofriam de estresse pós-aborto.
- O pesquisador destaca a necessidade de mais estudos para entender fatores de risco e desenvolver intervenções terapêuticas; orientar informações para quem considera aborto sobre a possibilidade de sofrimento emocional persistente.
Um estudo publicado no final de 2025 no International Journal of Women’s Health Care avaliou a prevalência e a intensidade do sofrimento emocional pós-aborto entre mulheres nos Estados Unidos. A pesquisa acompanhou 1 mil candidatas, com foco em compreender se os sintomas pioram ou persistem ao longo de décadas. Participaram mulheres com idades entre 41 e 45 anos, acompanhadas ao longo de 20 anos.
A amostra analítica incluiu 226 mulheres que relataram ter passado por pelo menos um aborto ao longo da vida. Os resultados indicam que o sofrimento emocional associado ao procedimento não diminuiu com o tempo. O estudo aponta que 44,8% apresentaram algum tipo de sofrimento, sendo 20,7% com nível moderado e 24,1% com nível alto.
Além disso, 31,2% mencionaram sentimentos frequentes de perda, luto ou tristeza, enquanto 24,6% relataram pensamentos, sonhos ou flashbacks frequentes sobre o aborto. Em conclusão, o pesquisador aponta que, embora muitas mulheres não se sintam perturbadas pela decisão, uma parcela significativa continua angustiada por décadas. Dados de 2022 estimaram 14 milhões de mulheres nos EUA com estresse pós-aborto.
Contexto do estudo
Sullins ressalta a necessidade de mais pesquisas para identificar fatores de risco do sofrimento emocional a longo prazo e para desenvolver intervenções terapêuticas eficazes. Segundo ele, mulheres que consideram o aborto devem ser informadas sobre a possibilidade de vivenciar sofrimento emocional persistente.
Caso inspirador
A paraibana Zezé Luz, líder religiosa e fundadora da Rede Colaborativa Brasil, viveu uma trajetória ligada ao tema. Ela relata depressão entre os 19 e 33 anos, associada a uma gravidez resultante de violência, e comportamento autodestrutivo. Anos depois, teve uma filha e descobriu um endometrioma relacionado aos restos do aborto anterior. O médico que a atendeu relatou que tratava-se de uma sequela do procedimento.
Em 2014, após participar do Crisma e se aproximar de pastorais da Igreja Católica, Zezé integrou a Comissão Arquidiocesana de Defesa da Vida no Rio de Janeiro. Ela afirma ter entendido ali uma oportunidade de reparação e de auxiliar outras mulheres a evitar sofrimento semelhante.
Relatos de Zezé apontam que, em várias situações, o sofrimento emocional persiste por décadas, mesmo após mudanças de vida. A reportagem destaca que esses casos costumam emergir em atividades de acolhimento a mulheres que vivenciaram o aborto, como no Projeto Esperança, originado no Chile e trazido ao Brasil em 2009.
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