- Fiocruz, em parceria com a UFMG, apresentou a terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), com cerca de 100 indicadores disponíveis online sobre pessoas com 60 anos ou mais.
- Indicam que fatores urbanos, sociais e estruturais influenciam muito a qualidade de vida dos idosos, indo além da presença de doenças.
- Nove entre dez dados destacam temor de queda em áreas urbanas: 42,7% dos idosos urbanos relatam medo por defeitos em calçadas e vias; entre mulheres chega a 50,5% e entre homens, 31,9%. O aumento ocorre com a idade.
- A hipertensão atinge 34,4% dos idosos (aproximadamente 11 milhões) e aumenta com a idade, chegando a 40,1% entre quem tem 80 anos ou mais; não houve diferença significativa entre homens e mulheres.
- Em mobilidade, 20,4% dos idosos têm dificuldade em ao menos uma atividade básica da vida diária, o que representa cerca de 6,5 milhões; apenas 37,9% recebem ajuda, e há falta de treinamento para cuidadores (5,8%). O SUS (Sistema Único de Saúde) continua como principal base de cuidado, com a Estratégia Saúde da Família (ESF) envolvendo 69,2% dos idosos.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou nesta terça-feira (26) os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). A pesquisa é uma das mais amplas sobre envelhecimento já realizadas no Brasil e disponibilizará, em plataforma online, cerca de 100 indicadores sobre saúde de pessoas com 60 anos ou mais, cobrindo vida cotidiana, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas.
Os dados ressaltam que fatores urbanos, sociais e estruturais influenciam decisivamente a qualidade de vida dos idosos, indo além da simples presença de doenças. A mobilidade e a sensação de segurança no entorno próximo às casas aparecem como temas centrais para políticas públicas de cidades mais inclusivas.
Entre os resultados, destaca-se que 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas têm medo de cair por defeitos nas calçadas ou vias públicas. O índice é maior entre mulheres (50,5%) do que entre homens (31,9%), aumentando com a idade (35,2% entre 60-69, 47,1% entre 70-79 e 63,1% acima de 80 anos).
Desdobramentos e contextos
A coordenadora do Elsi-Brasil, Maria Fernanda Lima-Costa, afirma que os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população que envelhece. Segurança viária, acessibilidade e planejamento urbano inclusivo aparecem como pilares centrais.
A insegurança na vizinhança também foi mapeada: 12,1% dos idosos consideram o local muito inseguro pela violência e criminalidade, o que representa cerca de 3,8 milhões de pessoas. A percepção é relativamente homogênea entre gêneros e faixas etárias, indicando problema transversal.
Hipertensão entre os idosos
A hipertensão arterial sistêmica permanece como condição relevante. A aferição domiciliar indicou que 34,4% dos idosos apresentam pressão compatível com hipertensão, o que equivale a cerca de 11 milhões de brasileiros. A prevalência sobe com a idade, de 31,9% (60-69) para 40,1% (80+), sem diferença significativa entre homens e mulheres.
Atenção primária e rastreamento regular são destacadas pela equipe de pesquisa para evitar subdiagnóstico e complicações. A hipertensão é muitas vezes assintomática, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo.
Mobilidade e qualidade de vida
A perda de capacidade funcional é outro eixo relevante. Vinte vírgula quatro por cento dos idosos relatam dificuldade para ao menos uma atividade básica da vida diária. Cerca de 6,5 milhões vivem com algum grau de limitação, o que acarreta impactos na autonomia e no atendimento familiar e social.
A diferença por gênero volta a aparecer: 23,1% das mulheres têm limitação funcional, contra 17% dos homens. O aumento com a idade é acentuado: 13,9% entre 60-69 anos, chegando a 44,2% acima de 80 anos.
Falta de apoio e formação
Entre os idosos com limitações, apenas 37,9% recebem ajuda, e a parcela cresce com a idade, chegando a 55,4% entre 80 anos ou mais. Além disso, apenas 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido treinamento, sinalizando lacunas em políticas de cuidado de longa duração e qualificação de cuidadores.
O relatório também destaca o papel do SUS como base de cuidado para a maior parte da população idosa, com cerca de dois terços usando o sistema público como única fonte de atenção à saúde. A Estratégia Saúde da Família (ESF) atinge 69,2% dos idosos, equivalentes a cerca de 22,2 milhões de pessoas.
Painel de indicadores e impactos
O painel de indicadores do Elsi-Brasil, disponível na plataforma, oferece acesso público a múltiplas dimensões do envelhecimento. A ferramenta visa apoiar pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil no monitoramento das condições de vida da população idosa.
A iniciativa se alinha à Década do Envelhecimento Saudável (ONU, 2021-2030) ao ampliar o conceito para além da ausência de doenças, incluindo autonomia, segurança e ambiente de vida. A plataforma é apresentada como instrumento para enfrentar os desafios do envelhecimento com maior integração entre setores públicos e privados.
A terceira rodada do estudo ocorreu entre 2023 e 2024, seguindo as anteriores de 2015-2016 e 2019-2021. Com metodologia harmonizada internacionalmente, o Elsi-Brasil posiciona o Brasil entre as referências globais em pesquisa sobre envelhecimento.
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