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IPCC afirma que catástrofe climática é improvável

IPCC admite que o cenário extremo RCP8.5 é implausível, mas mantém o foco em aquecimento acima de 2°C até o fim do século, com impactos ainda debatidos

O IPCC admite exagero em cenário climático apocalíptico usado por anos para justificar alarmismo, políticas caras e previsões contestadas. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)
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  • O IPCC classificou como implausível o cenário climático mais extremo usado no seu último relatório, conhecido como RCP8.5, apesar de manter uma visão alarmista sobre o aquecimento causado pela humanidade.
  • O estudo de 44 autores, publicado em 7 de abril, retrata que o RCP8.5 ficou sob escrutínio por ser considerado pouco plausível diante de custos das energias renováveis e políticas climáticas emergentes.
  • Em termos de projeções, os novos cenários apontam que a temperatura global pode chegar a cerca de 3,5 °C até o fim do século, em comparação com a meta de 2 °C geralmente citada como “segura”.
  • O extremo superior das emissões do CMIP6 (SSP5-8.5) foi considerado improvável, e o extremo inferior de trajetórias de emissão, observadas entre 2020 e 2030, mostrou inconsistências.
  • O comunicado também destaca que a cobertura sobre o tema mudou, com relatos de que mais de 80% das matérias anteriores se baseavam no cenário apocalíptico agora descartado.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirmou que o cenário mais extremo utilizado como referência em seus relatórios é considerado implausível. A retratação refere-se ao RCP8.5, caminho de concentração representativo usado nos últimos anos para embasar alarmismo, políticas caras e interpretações ao redor das mudanças climáticas.

O anúncio foi feito em artigo assinado por 44 autores, publicado em 7 de abril na Geoscientific Model Development. O texto reconhece críticas à plausibilidade dos cenários extremos, incluindo o RCP8.5, dentro do conjunto CMIP6. Observa que, no extremo superior, emissões elevadas se tornaram improváveis com base em custos de renováveis, políticas climáticas e tendências recentes.

Além disso, o estudo aponta que, no extremo inferior, várias trajetórias de emissões se mostraram inconsistentes com dados de 2020 a 2030. A reportagem do jornal holandês De Volkskrant, de 4 de maio, resume as dificuldades de comunicação do tema para o público em geral, destacando o contexto técnico envolvido.

Mudanças de cenário e leituras críticas

Segundo Detlef van Vuuren, climatologista da Universidade de Utrecht e autor principal do artigo, novas avaliações sugerem temperaturas globais próximas de 3,5°C acima do período pré-industrial até o fim do século, cenário superior aos 2°C considerados seguros. O pesquisador enfatiza que, se as emissões permanecerem altas, o aquecimento tende a ocorrer mais tarde, após 2100.

Keulemans, editor científico da De Volkskrant, relata que o IPCC deve excluir o cenário mais favorável, o que implica que o objetivo de manter o aquecimento em 1,5°C não deverá mais figurar como meta viável no próximo relatório. A discussão aborda limites da projeção e a forma de comunicar incertezas ao público.

O debate sobre o RCP8.5 também é citado em análises internacionais, como a de Jonathan Lesser no New York Post, de 19 de maio. O texto discute a origem do cenário extremo e questiona a fundamentação de políticas públicas e de financiamento associadas a tais previsões.

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