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Litoral norte fluminense tem 25% da zona costeira em situação instável

Litoral norte fluminense concentra 25% da zona costeira instável; erosão, desmatamento e expansão urbana elevam riscos a comunidades e infraestruturas

Arraial do Cabo (RJ), 13/04/2026 – Vista de embarcações de passeios turísticos atracadas na Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • Cerca de 25% da zona costeira do litoral norte fluminense está em situação instável, com 1.916 km² de áreas degradadas consideradas de alta prioridade para recuperação.
  • O inventário abrangeu 1984 a 2024, avaliando cerca de 22 mil km² entre Búzios e São Francisco de Itabapoana, incluindo Cachoeiras de Macacu, Maricá e a Costa Verde.
  • Desmatamento ligado à pecuária e ao cultivo de café, além da expansão urbana e turística, são as principais causas da degradação; a Costa Verde teve aumento de urbanização de 254% nesse período.
  • Em Angra dos Reis, mais de 60% do município está suscetível a deslizamentos; em Maricá, 5,88% das áreas degradadas estão associadas a incêndios e à substituição da vegetação por pastagens.
  • Manguezais e restingas registram perdas: Costa Verde perdeu 16,3% de restingas e 47,8% de áreas úmidas, com impactos sobre infraestrutura e custos de resposta a desastres.

Um estudo inédito da Universidade Federal Fluminense (UFF) avaliou quatro décadas de degradação do solo na zona costeira do Rio de Janeiro e revelou áreas críticas de erosão, desmatamento e expansão urbana acelerada.

O levantamento abrangeu o litoral norte fluminense, entre Búzios e São Francisco de Itabapoana, incluindo Maricá, Cachoeiras de Macacu, Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty. A análise utilizou imagens de satélite, sensoriamento remoto e SIG entre 1984 e 2024.

O que aconteceu, em números, mostra que 25% das terras da região são consideradas instáveis devido ao desmatamento associado à pecuária e ao cultivo de café. Dos 2.460,85 km² degradados, 1.916 km² recebem prioridade para recuperação.

O estudo chama atenção para a vulnerabilidade de infraestrutura como estradas, dutos e moradias, além do aumento de custos públicos com resposta a desastres naturais. Chuvas intensas elevam a erosão quando a vegetação é removida.

Riscos e mudanças regionais

Segundo o pesquisador Mohammad Al Abed, a degradação em encostas íngremes eleva o risco de deslizamentos e piora o escoamento superficial da água pluvial. No trecho Maricá–Búzios, a expansão agrícola e o crescimento urbano acelerado são os principais motores.

Na Costa Verde, Angra dos Reis e Paraty apresentam erosão em sulcos próximos a áreas urbanas. A urbanização da Costa Verde cresceu 254% nos 40 anos analisados, aumentando a instabilidade do solo.

Maricá também registra impacto de incêndios, que, segundo o estudo, correspondem a 26% da perda de cobertura arbórea entre 2001 e 2023. Além disso, 5,88% das áreas degradadas no município foram associadas aos incêndios.

Manguezais e restingas em alerta

O inventário aponta perda relevante de barreiras naturais: a Costa Verde teve queda de 16,3% das áreas de restinga e 47,8% das áreas úmidas durante o período estudado. A redução dessas formações aumenta a vulnerabilidade costeira.

O relatório conclui que a degradação do solo ameaça também infraestrutura de uso público e privado, além de ampliar custos com programas de recuperação ambiental e prevenção de desastres.

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