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Medicamento em estudo promove efeito triplo no combate à obesidade

Retatrutida, triplo agonista GLP-1/GIP/glucagon, provoca queda de peso de até 30% em obesidade grau três em ensaio de fase três, ainda sem aprovação regulatória

Entre os participantes do estudo na fase 3, houve casos de redução de peso superior a 35% em dois anos de tratamento
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  • Em estudo Triumph-I com 2.339 adultos obesos ou com sobrepeso, a retatrutida — triplo agonista que atua em GLP-1, GIP e glucagon — apresentou perda média de 28,3% do peso no grupo de 12 mg, em 80 semanas, enquanto 4 mg e 9 mg tiveram quedas de 19% e 25,9%.
  • Na dose de 12 mg, 45,3% dos participantes perderam pelo menos 30% do peso corporal; 65,3% passaram a ter IMC abaixo de 30.
  • Em indivíduos com obesidade grau 3, um subgrupo de 532 pacientes eliminou, em média, 30,3% de gordura, correspondentes a 38,5 kg.
  • Os resultados são divulgados pela Eli Lilly e ainda não passaram por avaliação de agências regulatórias nem foram publicados em revista com revisão por pares.
  • A comparação inicial aponta que, embora a tirzepatida (Mounjaro) já alcance perdas de 20% a 26%, a retatrutida tem potencial de magnitude maior; especialistas ressaltam necessidade de mais dados e uso criterioso.

A pesquisa sobre a retatrutida, medicamento experimental, divulgou resultados promissores em estudo de fase 3 com mais de 2 mil participantes. O objetivo era avaliar perda de peso em pessoas com obesidade grau 3 ou sobrepeso com comorbidades. Os dados foram apresentados por meio de comunicado do laboratório Eli Lilly, fabricante da droga. A substância ainda não foi submetida às agências regulatórias.

A retatrutida atua como triplo agonista, atingindo receptores GLP-1, GIP e glucagon. Esse conjunto de alvos busca reduzir o apetite, ampliar a saciedade e estimular o gasto energético, conforme especialistas envolvidos no estudo. A comparação com terapias atuais mostra potenciais vantagens na magnitude da perda de peso.

Resultados e dosagens

O Triumph-I envolveu 2.339 adultos, com peso inicial médio de 112,7 kg, distribuídos em três grupos de dose (4 mg, 9 mg e 12 mg) e placebo, ao longo de 80 semanas. As perdas médias ficaram em 19%, 25,9% e 28,3%, respectivamente, com 21,4 kg, 29,2 kg e 31,9 kg. O grupo de maior dose teve 45,3% com perda ≥30% do peso.

Entre quem começou com IMC elevado, 37,5% atingiu IMC normal ao fim do tratamento. Em um subgrupo com IMC acima de 35, a média de redução foi de 30,3% de gordura, equivalente a 38,5 kg. Além da perda de peso, houve melhora de fatores metabólicos e cardiovasculares.

O que significa para o tratamento

Especialistas ressaltam que os resultados são preliminares até a publicação completa revisada por pares. A magnitude de perda de peso aproxima-se de cirurgias bariátricas em alguns cenários, ainda sem consenso definitivo. A safety profile ainda precisa ser avaliado com maior profundidade, especialmente a longo prazo.

A equipe do estudo destaca que, caso confirmados, os dados podem tornar a retatrutida uma ferramenta relevante no tratamento da obesidade e de suas comorbidades. A expectativa é de que Triumph-2 e Triumph-3 apresentem resultados adicionais até o fim do ano, avaliando obesidade com diabetes e indivíduos com alto IMC e doenças cardiovasculares.

Visão de especialistas

Pesquisadores externos apontam que os resultados são encorajadores, mas ainda não há publicação científica completa. A possível atuação tripla pode representar avanço significativo frente às terapias que atuam em GLP-1 e GIP, com a adição do receptor de glucagon. O impacto na prática clínica dependerá de dados de adesão, segurança e eficácia em subgrupos.

Existem ressalvas sobre uso e acompanhamento. Médicos enfatizam a necessidade de avaliação criteriosa e monitoramento, para evitar uso indevido ou efeitos adversos. A pergunta central é se os dados suportarão aprovações regulatórias e incorporação clínica de maneira segura.

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